quarta-feira, agosto 30, 2006

Afinal quanto vale este blog?

Num desses sites que por aí andam dá para ver quanto vale aqui este cantinho! Fiquei indignada quando me disseram que vale apenas $12.00!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

$12.00 ??????????????????????????????????????

quinta-feira, agosto 24, 2006

Caminhadas

"Determinadas coisas significam determinadas coisas". Uma frase aparentemente pleonástica, eventualmente circunloquiar, mas com muito que se lhe diga...
Qualquer coisa tem uma função, mesmo que seja inútil. Essa função é habitualmente do conhecimento geral, apesar de algumas mentes iluminadas descortinarem nas coisas mais banais funções alternativas, à primeira vista eventualmente ridículas, condenadas a permanecer no quase anonimato. Contudo, muito mais interessante é debruçarmo-nos sobre o simbolismo dessas coisas. Aqui, muito pouca coisa é determinada, ou pelo menos muito pouca coisa é fechada. Um pedaço de casca de árvore é aparentemente inútil, mas é para mim uma recordação de infância, um suspiro alegre, um saudosismo profundo. A função, dirão alguns, é recordar. A finalidade, digo eu, é carregar baterias. Quando revivo esta recordação, crio uma cadeia de valor: através da recordação, passo da casca de árvore à obtenção de energia, energia essa contida na casca de árvore, que activada pela minha recordação, se transfere para mim, passa ao estado gasoso, é expelida pela minha boca e nariz, por acção dos meus pulmões, sob a forma de suspiro e se espalha por aí. No universo nada se perde, tudo se transforma.

No fundo tudo o que fiz foi caminhar. Desloquei-me de um ponto A para um ponto B e nesse sentido caminhei. Não me desloquei fisicamente, embora tenha causado deslocções ao nível do físico, mas simbolicamente caminhei.

Caminhar é decerto útil e tem para mim várias finalidades. Caminhei recentemente da Avenida de Roma atá à Amadora. No passado tinha já caminhado da Sé de Lisboa até à Amadora, do Campus de Campolide até à Amadora. A utilidade esteve lá, as finalidades também, a cadeia de valor imensa. Espero caminhar mais no futuro, cada vez com mais energia...
A vós que como eu caminhais por uma metrópole de pensamentos, deixo uma sugestão: não se preocupem para onde vão; pensem antes por onde que chegam lá na mesma.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Os três da vida airada

Começa o Verão
sem grandes expectativas,
estando presente a recordação
de experiências vividas.
Inesperadamente, algo muda
toda a conjuntura;
uma airada vida
é o que o futuro augura!
Conversas seja onde for,
almoços em casa ou na rua,
teorias sobre a cor
(cada um de nós tem a sua).
Neves e trovões
são constantes neste Verão.
Medos, ideias, pensamentos, recordações,
problemas respeitantes inclusivé ao coração
E quando Setembro chegar
tudo vai ser esquisito,
mas a recordação vai ficar
de um Verão bem bonito...

quarta-feira, agosto 16, 2006

O nascer de Albatroz

Subitamente, uma desconhecida agitação perturba o meu calmo descanso. Não conheço esta nova sensação, e apesar de não ser muito desagradável, incomoda-me. Irrompendo na minha vida rotineira, traz-me o azo da preocupação.
À medida que o tempo passa, a perturbação aumenta, não só à minha volta, mas em consequência disso mesmo, também dentro de mim. As paredes ao meu redor parecem quebráveis, e sinto que devo parti-las, ver o que está do outro lado, acabar com a claustrofobia que de repente se apoderou de mim. O desconhecimento da nova sensação é gradualmente esquecido, e substituído pelo medo e pânico que a revolução à minha volta provoca em mim...
Por esta altura, a adrenalina que me corre nas veias despertou todos os meus sentidos, e talvez por isso, quando após muitas tentativas, vejo uma brecha abrir-se na parede e a luz irrompe para dentro do meu mundo, ouço sons que nunca ouvi antes. É quase como se uma porta se tivesse aberto, trazendo para o meu pequeno mundo vestígios de um outro, paralelo ao meu, que lentamente se revela, cada vez mais forte, alargando e dilatando uma passagem, convidando-me para o visitar. Mas eu sinto-me bem no meu mundo, a sua simplicidade dá-me tudo o que necessito, e não tenho qualquer interesse em abandonar o meu lar, trocando-o por outro que desconheço em absoluto.
Impelido pelo instinto, saio lá para fora. Este novo mundo é estranho, enorme, não tem o conforto do meu anterior lar, e a minha primeira reacção é a de piar compulsivamente, pois tenho medo, fome, frio, não percebo nada. Então aparece alguém que me conforta, que me acaricia com o seu bico, que me aquece com a sua penugem, que regurgita para dentro de mim um quente e nutritivo pequeno-almoço e sinto-me bem, confiante no que o futuro me reserva...
A 15 de Agosto de 1986, tornei-me Albatroz.

segunda-feira, agosto 14, 2006

A resposta

A inspiração provém de diferentes sítios. Ninguém sabe bem como ou porquê, mas há palavras, imagens, recordações que nos ficam gravadas na memória para serem despoletadas em alturas específicas, repetidamente, ideias que ecoam na nossa cabeça até que alguém do outro lado responda. O tempo e esforço empregues na obtenção da resposta são tão pouco importantes como ela própria. De que vale ter uma coisa se não a utilizamos, de que vale sumo de maçã, pêra e manga quando só queremos água del cano?
Às vezes a resposta acaba por nunca surgir, mas enquanto a procuramos vamos aprendendo muitas coisas em que nunca tínhamos pensado que acabam por contribuir para a construção de um pensamento mais estruturado e uniforme. Importa ter em mente o objectivo final, mas sem dúvida que o caminho percorrido, ao variar de uns para outros, altera ligeiramente a maneira de interpretar esse resultado final, pelo que talvez não seja necessariamente bem-vinda, aqui, a eficiência.
Ao forçarmos demasiado algo, corremos o risco de quebrar, mas asseguramos que não nos esquecemos do caminho percorrido até então, podendo retomá-lo futuramente.
Chegando a um ponto em que não conseguimoa avançar mais, tudo à nossa volta começa a tremer e a incapacidade para compreender um assunto específico extrapola e de súbito não compreendemos nada, não sabemos quem somos. Nestes momentos vemos de que somos realmente feitos, quão fortes realmente somos. Quando tudo está bem, está tudo bem, mas quando tudo parece mal cabe-nos a nós provar que as aparências iludem.
Agora que temos a nossa resposta podemos utilizá-la de várias formas, nenhuma necessariamente melhor que a outra, embora algumas sejam mais louváveis.
Interessa porquê e como, pode até interessar quando, mas sem dúvida, interessa quem...
"When you try your best but you don't succeed
when you get what you want, but not what you need
when you feel so tired but you can't sleep,
stuck in reverse.

And tears come streaming down your face
when you lose something you can't replace.
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?

Lights will guide you home
and ignite your bones
and I will try to fix you..."
Coldplay
"Fix You"

quarta-feira, agosto 02, 2006

Raptos

A sociedade é formada por indivíduos, todos diferentes, ligados por uma necessidade de pertença a grupo, a uma comunidade. Esta traz várias vantagens já que os indivíduos, ao serem divididos por hierarquias e funções, sendo que o desempenhar de cada uma delas é essencial para o todo, permitem que o todo seja mais do que a soma das partes. Isto aplica-se a várias sociedades e não só à humana. Um zapping algo mais demorado pelo Discovery Channel, a Odisseia ou até mesmo os canais generalistas ao fim-de-semana (antes do jornal das 13) dá-vos vários exemplos disto patentes em muitas e diversas espécies do mundo animal. Não entrando por aí, seguiremos um caminho melhor delineado, analisando a sociedade animal racional.
O Homem é um animal social. Todos sentimos necessidade de conviver com os nossos pares, com os nossos semelhantes. Não só pelas mesmas razões que levam à formação dessas sociedades no mundo animal, mas principalmente porque o Homem é um animal social especial - é um animal social racional. A nossa sociedade nasce do contributo não só, mas também, intelectual de cada um dos seus indivíduos. Os seus valores, princípios, padrões comportamentais, vontades e objectivos acumulam-se num aglomerado heterogéneo e dinâmico chamado sociedade. No entanto, para que a vivência em sociedade seja exequível, muitos dos impulsos mais primitivos e bruscos dos indivíduos têm de cair. Não porque desapareçam, mas porque caem para um local mais profundo do nosso ser, permanecendo lá, atolhados debaixo de condutas e regras de boa educação que todos seguimos, uns mais, outros menos. Os animais irracionais agem de forma semelhante, mas os seus condicionalismos são mais fracos e têm origens não no raciocínio, mas no instinto e na avaliação que cada animal faz das suas capacidades e competências, em relação aos outros.
Enquanto andamos por cá, habitamos no meio de toda esta mescla social, tentanto usar o raciocínio para moldar as nossas acções e as emoções para justificar o processo de raciocinar, até que às vezes, somos raptados.
Levados para longe de tudo isto - para uma ilha deserta, para uma viagem de carro pelo deserto do Arizona, para um inter rail, para uma cadeira. Esses raptos permitem-nos sair momentaneamente da sociedade e criar tribos: pequenos grupos de pessoas com uma ideia que une todos, que é interpretada de diferente forma por todos, sem objectivos concretos. Nesta tribo-societal criam-se ligações, recordações, imagens, descobre-se e troca-se informação e depois acaba-se a tribo no sentido físico, perdurando em cada um dos membros da tribo algo que não os muda, mas que os faz evoluir, como se uma espécie de energia residual ficasse guardada algures para às vezes ser reutilizada.
Reintegrados na sociedade, não temos de todo uma visão mais clara dela, mas temos uma visão mais clara de nós, porque ouvimos coisas que não esperávamos e ouvimos coisas que já sabíamos explicadas de uma forma diferente.
Obrigado minha tribo, por me raptarem.

segunda-feira, julho 31, 2006

London by Night

AVISO: As imagens que se seguem podem ferir susceptibilidades e causar danos irreversíveis em pessoas sensíveis, com problemas cardíacos ou grávidas.


Era uma vez um menino que não dançava. A vida desse menino era um pouco mais triste por não poder exercitar os seus pés (sem contar com as pisadelas). Até que um dia surgiu a oportunidade de ir a uma festa da tão aclamada LSE. Foi aí que tudo mudou. O menino, que antes se encostava às paredes a beber a sua pint pôde finalmente dar azo à sua vontade de dançar. E foi um ver se te avias!!! Bebeu, dançou, bebeu, pulou, pisou alguém, bebeu, levantou o braço e posou para a fotografia.

Era uma vez três meninas, numa selvagem discoteca de Londres. Entre as 10 perseguições, as 6 apalpadelas e as 4 intervenções ao ouvido sobraram cerca de 5 minutos para se divertirem. E viva o "Hips don't lie"!

Beijinhos dos Londrinos!

quarta-feira, julho 26, 2006

Filmes, séries, livros e pensamentos

Quando recebemos estímulos exteriores, somos afectados por eles. Alteram as nossas perspectivas, a nossa maneira de encarar as coisas e o nosso grau de receptividade aos mesmos. Assim "crescemos" e nos tornamos quem um dia havemos de ser. Mesmo que fossemos todos submetidos aos mesmos estímulos, seríamos diferentes. Poderíamos então ver até que ponto as nossas características inatas influenciam mais ou menos a nossa maneira de ser e agir.
Ao eliminarmos a capacidade de aprendizagem não nos afastaríamos muito do que temos hoje, mas poderíamos rotular com mais facilidade cada indivíduo. Neste mundo adulterado sentir-nos-íamos instantaneamente atraídos por quem tivesse as características que se encaixassem nas nossas e, pelo meio, sobrariam inúmeros incompatíveis. Sem a capacidade de criar instrumentos que permitam contornar o que não gostamos nos outros, aceitaríamos (ou não) as pessoas como elas verdadeiramente são e ninguém se poderia sentir injustiçado.
Mesmo assim arranjaríamos forma de complicar o que é simples e procuraríamos, como hoje, solução para os problemas batidos e rebatidos em filmes, séries, livros e pensamentos.

terça-feira, julho 11, 2006

Bitates

O objectivo dos telemóveis é o de aumentar a flexibilidade nas comunicações. O telemóvel é por definição um telefone móvel, um que podemos transportar, que podemos utilizar enquanto caminhamos pela rua. No entanto, não são raras as pessoas que detêm a sua locomoção para atender o telemóvel. Quando têm pouca rede, alguns curvam-se tentanto aproximar a cabeça (e consequentemente o telemóvel) o mais possível do solo, na esperança de que a qualidade da comunicação melhore. Várias vezes vi esta técnica ser utilizada e diz que resulta.
A emissão de opiniões é uma prática saudável, que permite o aumento de conhecimentos não só do emissor da opinião, como de quem a recebe. No entanto, no outro dia emiti uma opinião e o meu pai disse "Respeitinho!!". Não raras vezes são as emissões de opinião entendidas como ofensas e desrespeitos.
As pessoas possuem várias características. São elas que determinam a sua maneira de ser e de agir. No entanto, muitas vezes as pessoas se esquecem dessas suas características e sentem-se incomodadas pelos outros. Quando os outros são crápulas, nós somos por vezes afectados pela sua crapulice, acabando por nos esquecermos de quem somos, por insegurança, ou consequência das circunstâncias.
No fundo, a frequência, intensidade e qualidade das nossas interacções uns com os outros, determinam a nossa maneira de ser, bem como podem num dado momento afectar as disposições a que estamos sujeitos, alterando os nosso comportamentos.

sexta-feira, julho 07, 2006

Convocatória

Convocam-se os administradores do blog para: REMODELAÇÃO DO ESPAÇO. Por favor relatem a vossa disponibilidade.

quarta-feira, julho 05, 2006

Angel wings

I see the sky, I see the clouds, but your face seems to be away from my sight
I see the ocean, I see the waves, but your eyes are far from my sight
I see the sand, I see the rocks, but my heart knows that you can’t see me…

We have met like angels, you gave me your life and I shared little pieces of mine, between us there is just an ocean, just water, and yet the distance relies upon a glass that will be broken soon. We shall shake our wings and fly to our desert island underneath the blanket that has been with us since the beginning. The only pain will be felt when you need to leave, but…

I no longer see the ocean, just your face, your eyes, and your smile. There is no beach; there is no sand or water, only me and you in a deep embracement...

sábado, julho 01, 2006

Boas FÉÉÉRIAS (na esperança que desta vez ninguém apague isto) ...
Viva Portugal (seja qual for o resultado de amanhã e, esperemos, dos próximos jogos) ...
E até ao meu regresso !!!

terça-feira, junho 27, 2006

Michelle

Sinto-me estranho. Estou melancólico como é habitual nestas alturas, mas desta vez a introspecção que me assola é mais densa...
Hoje senti uma coisa que estava inerte há anos e percebi. Percebi o porquê dessa inércia me pôr sempre um sorrisinho nos lábios, fazendo sentir a sua presença esporadicamente. Percebi o porquê de ela existir e percebi que ela não era bem o que eu esperava.
Só alguém deveras iluminado para me fazer ver o mundo de maneira diferente e repensar coisas que julgava há muito encerradas. (Odeio-te!)
No meio disto tudo percebi porque é que me bateu tão forte. Tive medo de nunca mais sentir aquele quentinho quando me deito no sofá e pouso um braço sobre o peito. Tive medo de nunca mais sentir aqule macio de cama feita com lençóis lavados e banhinho tomado. No fundo, tive medo de nunca mais ver aquele azul mais bonito que tu trazes, ao qual me habituei nos últimos tempos.
Falta-me uma conclusão, mas não a escrevo. A história ainda não acabou e sei que continuará no ecrã de cinema que é o tecto do meu quarto.
Não te cuspo em cima, mas já levas uns belos gafanhotos...

quarta-feira, junho 21, 2006

Há momentos em que apetece dizer algo, mas não dizemos. Não sei porque não digo talvez sinta que isso nem faz assim tanta diferença. Palavras sentidas às vezes não fazem diferença se são ditas se não, afinal de que valem palavras quando quem as escuta não as ouve verdadeiramente? Que mal tem se eu não as disser?

alguém me ouve? está aí alguém?

talvez esteja talvez não esteja,talvez oiçam, talvez compreendam o que afinal eu julgava incompreensivel.
talvez um dia quando menos esperares eu já não esteja aqui...

"some day you'll look, to see I've gone, but tomorrow may rain so I'll follow the sun.." John Lennon e Paul MacCartney

segunda-feira, junho 12, 2006

“You know you can always count on me… for good times and bad times I’ll be by your side forever… that’s what friends are for…”

Agora queria estar ao teu lado
Queria poder dizer o quão gosto de ti, o quão gostamos de ti, que sentimos a tua falta
Dizer-te que sem ti há gargalhadas que não acontecem, que há coisas que não têm piada
Não quero estar aqui sentado e saber que a única coisa que posso fazer é escrever algo que só poderás ler quando voltares para casa
Não gosto de saber que agora que precisas de mim, de nós, e ninguém pode estar ao teu lado
E um (muito) amigo teu telefonou-me a contar a “novidade” e quando perguntei porque é que ele me estava a contar, obtive um “É para desabafar”
E odiamos não puder pegar no carro e ir abraçar-te, fazer-te cócegas, dizer que tudo vai acabar bem e depressa, aquela carícia no cabelo
E agora lembro-me dos mails em que dizem para lembrarmos aos nossos amigos que gostamos deles, sempre com história muito comoventes
Não é nada que não saibamos, que temos amigos que gostam muito de nós
Mas é tão melhor quando nos dizem…
Gosto de ti!

domingo, junho 11, 2006

Destino

A pedido de muitas famílias, venho hoje falar-vos de destino. O dicionário reporta-nos para fatalidade, sina, sorte, fim, aplicação a que se destina alguma coisa, direcção, rumo.
Fatalidade parece-me reforçar a ideia de que é algo que não controlamos, que está pré-definido ainda antes de nascermos, inevitável, imutável. Gosto muito daquela frase do "Eu faço o meu próprio destino!" que aparece tantas vezes nos filmes em momentos super dramáticos, por isso não gosto muito desta.
Sina lembra-me sempre senhoras ciganas com lenços na cabeça a lerem-nos a sina, com cartas e essas coisas (recordaçõess de Peniche) e parece-me ser menos "poderoso". Ao passo que a fatalidade é algo a que não podemos escapar, a sina parece-me ser mais do género alguém escreve em milhares de envelopes inúmeros possíveis futuros para nós, mistura todos os envelopes numa tômbola (recordaçõess Serranas) e sorteia um. Daí que a sorte também se possa englobar nesta definição.
O fim percebo perfeitamente. Tudo o que existe tem um fim, uma finalidade, um objectivo, uma essência instrumental que nos permite usar as coisas e derivar delas algum usufruto. As canetas permitem escrever, os olhos ver, a Estatística não serve para nada, e os clips para coçar o nariz até espirrar. Aqui entra também a aplicação a que se destina alguma coisa.
A direcção ou rumo também percebo. Quando saímos de casa, temos normalmente um local que queremos atingir e seguimos um determinado caminho para lá chegar. Cristal clear.
Todavia, por mais que busque no dicionário, não encontro o que quero - não encontro o fado. Essa grande mística cantada por Camões em poemas e pela Amália em noites Lisboetas (na verdade só me interessa o do Camões, mas fica aqui a devida homenagem a uma grande senhora). Essa ideia de que tudo é destino faz-me confusão. Para os mais religiosos, o destino torna-se muita vez a vontade de Deus. Sempre ouvi dizer "Foi porque Deus quis!" ou "Agente morre é quando Deus quiser!". Ora, se eu for ali à janela e me atirar lá para fora, posso sobreviver, ou não, havendo até uma pequena hipótese prevista pela Física de atravessar o chão em vez de me estatelar nele. Devaneios à parte, o que é certo é que eu não me atiro...
No outro dia vi na televisão a história de um toxicodependente que chegou a um ponto tal em que se atirou do topo de um andaime para ver o faria a seguir. A ideia era que se morresse, acabavam-se os problemas, senão, era porque Deus tinha destinado para ele um outro fim. O senhor sobreviveu e hoje está completamente restabelecido, não só da toxicodependência como da queda, tendo uma vida perfeitamente "normal". Não sei se foi ou não, mas o que é certo é que aquele homem mudou a sua vida por acreditar que era o seu destino...
Se formos extremosos, não nos preocupávamos com nada, nem fazíamos nenhum, pois o destino encarregar-se-ia de nos dar um rumo. É claro que nesse caso o nosso destino seria provavelmente sermos todos uns grandes labregos e isso nunca acontecerá, porque todos sabemos que o destino pode sempre levar uma mãozinha.
Em jeito de conclusão, destino ou não, se não passarmos da fase de grupos o Scolari será indubitavelmente difamado com veemência acentuada, e aí ninguém se lembrará que não era o destino de Portugal ser Campeão Mundial; se faltar agora a luz, eu não vou encarar isso como um sinal de que este post não tem como destino ser publicado; e se a próxima vez que for levar a China a casa estiver lá o senhor a levantar dinheiro, gostarei muito de pensar que era o nosso destino falar da vida e fazer pactos.

quarta-feira, junho 07, 2006

Coisas da vida

Não sei bem se é destino, karma, ou qualquer uma dessas coisas, mas gosto de pensar que o que fazemos se repercute em nós no futuro. A experiência diz-me que isso é verdade e é exactamente por isso que raramente penso no futuro. O que fizermos hoje, é instrumental para o nosso futuro, por isso basta-me viver o hoje, o agora e o futuro determina-se a ele próprio através das minhas acções.
É claro que penso no futuro, mas penso sempre no que posso fazer agora para influenciar o futuro. Quando estou bem, é bom; quando estou mal gosto de curtir a neura até ao fim. Assim dou mais valor aos momentos bons, como este, em que escrevo, e penso no que todos vocês pensarão quando lerem isto.
A vida tem certos padrões, ciclos, que nos dão uma certa segurança em relação ao que acontecerá no futuro próximo. Quando há eleições, sei que vão construir parques para as avós passearem com os netos; quando há competições internacionais de futebol, sei que todos se tornam instantaneamente patriotas; quando como algo que já provei antes, tenho uma óptima previsão sobre o seu sabor, e é bom descobrir que estava certo, tal como também é bom sentir um sabor diferente e perguntar à minha mãe o que é que ela pôs de novo na comida (nesta altura, alguém se deve sentir homenageado).
São estas pequenas coisas em que penso diariamente, quando não está mais ninguém comigo, pelo menos não fisicamente. São estas pequenas coisas que me fazem pensar que o mundo vale a pena ser vivido.
Gosto de ver como as pessoas são diferentes. Gosto de ver um artigo que acho completamente horrível e deprimente, e saber que o Alves vai adorar lê-lo, assim como escreverá pelo menos dois posts sobre ele, separados por um ou dois dias, um a continuar o outro, que despoletarão uma enorme polémica e conversa cultural de alto calibre.
Gosto de ir na rua e pontapear uma tampa de iogurte líquido e saber que provavelmente o Jota teria uma fantástica utilização para ela nos escuteiros, inteligente, simples e rentável.
Gosto de me picar em alfinetes, de irritar a minha mãe, de mexer no cabelo das minhas manas, de recordar com saudosismo o grande 12º13, de me lembrar como a professora de História agoirava que um dia eu iria crescer e deixar de ser parvo, e esse dia ainda não ter chegado.
Gosto de começar a escrever com uma ideia, mas perder-me a meio do texto e divagar (é por isso que só dou títulos no fim).
Gosto de olhar o mundo da minha varanda e cagar sentenças sobre tudo e todos como se fosse o maior e imaginar que realmente tenho razão.
Quanto ao futuro, não faço ideia, mas será sem dúvida interessante descobrir o que acontecerá.

terça-feira, maio 30, 2006

Alexandra, a Grande

Ainda era ela pequenina e já se notava que algo não estava muito bem… mesmo assim os pais sempre acharam que a casa tremer com uma força de 8,7 na escala de Richter de cada vez que ela se levantava à noite para fazer xixi era normal. Aliás, olhavam para ela com ar ternurento e cochichavam um para o outro “deixa lá, ela está a crescer!”.
Aos cinco anos Alexandra (nome fictício) teve o seu primeiro emprego: uma coisa que começou como um passa tempo dela enquanto esperava lá fora que a mãe acabasse de fazer as compras, a Junta de Freguesia contrato-a para mudar as lâmpadas dos candeeiros da rua. Para o contrato com o Benfica para mudar todos os meses as lâmpadas dos estádio foi um passinho, pequeno para ela, meio campo de futebol para o Luís Felipe Vieira (o aperto de mão foi complicado)!
Era um bocado Maria-rapaz, mas mesmo assim teve uma infância feliz, rodeada de carrinhos de bombeiros, mas dos que apagam fogos de verdade, com bombeiros de verdade! Era a mais requisitada para guarda-redes, pois todos sabiam que com ela na baliza ninguém marcava! O Scolari ainda pensou nela para substituir o Ricardo na Selecção, mas como é menina o sr. FIFA não deixou. Que bonito que foi vê-la segurar a sua equipa toda mais os árbitros no braço direito, celebrando a vitória da Taça Inter-Turmas da sua escola da Bobadela! Aí sim, ela foi feliz, e o impacto foi sentido no Burkina Faso (bem perto de casa do Alves), houve mais um terramoto na Turquia, um maremoto assolou o Este asiático e o Vesúvio voltou a entrar em erupção!
Os anos passaram e a Alexandra (nome fictício) tornou-se uma mulher. Com uma ou duas negas a matemática, (aquela disciplina sempre complicada!), Alexandra lá chegou ao secundário sem grande esforço. Aí faz novos amigos, que até achavam piada ter aulas nos campos dos Comandos da Amadora, transferidos para lá por ser o único sítio em que Alexandra (nome fictício) cabia.
Até que um dia Alexandra (nome fictício) apaixona-se por um rapaz chamado Tiago (nome fictício), conhecido por Tigas (nome muito fictício) porque o cabelo dele fazia-lhe comichão no tornozelo. Desde esse dia que não parou de o tentar conquistar: ia buscá-lo à varanda do 8º andar onde ele vive para irem juntos para a escola, tirava as bolas de cima dos telhados só para o ver ficar vermelho a jogar à bola. Nos dias de maior calor ela até não se importava de ficar sentada do lado do sol só para eles poderem jogar à sombra!
-OHHH TIGAAAAS (nome muito fictício), VENS COMIGO COMPRAR UMA MERENDA?
- ‘Tá bem.
E ela pegava nele com muito cuidado, pendurava-o no brinco e lá iam eles. Um dia ela notou que o tinha perdido. Meia hora depois encontro-o aconchegadinho a dormir no fundo do bolso do vestido dela, e mandou os carros pararem de buzinar para ele não acordar.
Estudavam os dois juntos, e quando tiravam boas notas o Tigas (nome muito fictício) ia acorrer abraçar o mindinho da Alexandra (nome fictício), já que a ONU tinha proibido a Alexandra (nome muito fictício) de correr, para bem do Tigas (nome muito fictício) e da Humanidade em geral.
- PAAARAAABÉÉÉNNNSSS TIGAAAS (nome muito fictício)!
- Para ti também, tiraste melhor nota que eu!
- OH… EU USEI CÁBULAS! PÚ-LAS NO TELHADO DO GINÁSIO PARA A PROFESSORA NÃO AS VER!
- Para ninguém ver, queres tu dizer! Sua marota, dá cá um abracinho!
Como prova do seu amor ela fez-lhe uma pulseira, mas como não servia no pulso dele ela deu-a ao Sporting que fez dela a pala do novo estádio. Lá acertou na medida e ainda hoje esse tal rapaz a traz no pulso, como prova da sua amizade pela sua maior amiga de sempre!

segunda-feira, maio 29, 2006

Cup & China (& Esmeraldinha, e Tigas!)

Por estas alturas sentimos que tudo nos passa a correr. Os exames sucedem-se a uma velocidade estonteante, mal temos tempo para nós, e até aquela leiturazinha de casa de banho (aquele momento de libertação... em sentido literal e metafórico!) deixa de ser sobre algo que nos interesse para passar a ser sobre assuntos macroeconómicos. As conversas giram à volta do mesmo, e o tópico mais falado é sobre quem vai à segunda fase e fazer o quê. Esta noite não foi assim. Poucos foram o que conseguiram arranjar disponibilidade, mas só faz falta quem está. E não se falou em exames. Não se falou em taxas de juro nem no seu fantástico efeito sobre o preço do petróleo. A qui-quadrado ficou vermelha de inveja por não a termos referido uma única vez! E sinceramente, estava com saudades disto. E é bom sentarmo-nos num sofá e estarmos entre amigos. E é bom rir à gargalhada como há muito não fazia. E é bom não falar sobre algo que, afinal, é o que menos nos interessa falar. E é bom o silêncio que se cria, para logo depois tomar forma de mais um tópico a abordar. E é bom ver as expressões descontraídas (finalmente!) de quem ultimamente só vemos a fazer figas para que o que fez dê para passar. E é bom o carro rolar pelo alcatrão e termos alguém a despentear-nos. E é com pena que se diz aquele “Boa noite”, porque é o fim de um momento bem passado.
Houvesse mais momentos destes…

sábado, maio 20, 2006

Há já muito tempo que tenho andado a matutar num post sobre religião e a recente polémica sobre a obra de Dan Brown O CÓDIGO DA VINCI foi a gota de água. Mais uma vez a Igreja mostra a sua faceta obscura ao tentar reprimir qualquer tipo de ideia que seja contrária à sua. Parece que temos agora uma Inquisição psicológica, em que alguém com ideias diferentes e meios suficientes para causar um impacto significativo na sociedade deve ser reprimido, difamado, desacreditado...
A religião é uma doutrina, um sistema religioso, um culto prestado à divindade. É uma força instaurada desde sempre, desde que os homo erectus ou sei lá quais é que foram os primeiros, começaram a fazer vénias a calhaus e a dançar para que chovesse e houvesse muitos animais para se matar e comer. O Homem sempre teve necessidade de apoiar a base da sua existência em algo, e como até agora ainda ninguém encontrou a solução "milagrosa" muitos advogam a fé. Essa fé é passível de interpretações várias, pois tanto pode ser uma crença religiosa, como uma convicção em alguém ou nalguma coisa. Do ponto de vista católico, que é o que me interessa agora abordar, ter fé é acreditar naquilo que não pode ser explicado. É por isso que quando alguém morre se diz que foi a vontade de Deus e quando as coisas correm bem se diz "Graças a Deus.". Aquilo que não pode ser explicado é classificado como sendo obra de uma entidade superior, omnipotente, omnipresente, omnisciente - uma das ideias mais fortes alguma vez criadas e que já tanto sangue derramou ao longo da nossa história.
Não me faz confusão nenhuma que as pessoas tenham fé, embora a teologia seja para mim profundamente intrigante. Mas ter fé, é exactamente isso, acreditar no que não pode ser explicado.
O que me faz mais confusão não é a religião, mas a Igreja. Para mim, devemos ter fé porque o sentimos, porque algo no nosso âmago emana uma força que nos faz crer, que nos ajuda nos momentos difíceis, que nos justifica o que não compreendemos. Isso é ter fé. Não porque nos ensinaram a acreditar, mas porque acreditamos. Não porque nos disseram que foi, mas porque acreditamos que foi. Não porque nos dizem o que um livro quer dizer, mas porque lemos o livro e acreditamos naquilo que o livro nos "disse".
Quando escrevo um texto, muitas vezes me vêm dizer o que eu queria dizer naquela parte em que disse não sei o quê. Muitas vezes acertam, outras não, outras ainda descortinam significados que eu nunca quis dar a certas palavras ou frases. Por isso sempre me fez confusão quando nas aulas de Português, não nos ensinam a escrever, mas nos ensinam História dos Autores Portugueses, leccionada por professores que a aprenderam, que foi ensinada por um senhor muito inteligente, que como leu muito se tornou omnisciente, e como estudou a vida do autor sabe o que ele queria dizer quando usou a metáfora X, a anáfora Y, a hipérbole Z. Actualmente a Igreja tornou-se esse senhor. Como estudam há imensos anos tudo o que aconteceu, sabem tudo e quem pensar de forma diferente está errado. É por isso que para mim a Igreja é contra-natura. Querem incutir nas pessoas a fé, de forma extrínseca, quando ela deveria surgir do interior de cada um, naturalmente.
Não sou contra a religião, nem contra a Igreja como edifício, mas sou contra a religião e a Igreja enquanto instrumentos dos homens, que visam controlar e encaminhar os pobres coitados que ainda não foram iluminados pela luz suprema que só pode vir de cima.
Há quem tenha fé na família, nos amigos, em si próprio. Há quem não precise de ser ensinado, pois gosta de aprender por si próprio. Cada um deve ter o direito de escolher o seu caminho, de escolher as suas crenças, de escolher a sua fé. Se quem vir O CÓDIGO DA VINCI for perguntar ao porteiro da suposta sede da OPUS DEI onde é que mora o Silas, é livre de o fazer e de acreditar no que quiser. A Igreja não deveria encarar essas pessoas com receio, mas antes congratular-se com a sua existência, pois esse é um alvo fácil do aparelho da Igreja, e rapidamente o fazem esquecer a Maria Madalena e seja lá o que for que não lhes interessa em que as pessoas acreditem.
Ter fé, é uma escolha de cada um, assim como o objecto para o qual essa fé é direccionado. Não é um livro que vai acabar com o catolicismo, mas se querem fazer dele algo fechado, controlador e manipulador, talvez precisem de reler as palavras do Senhor e pensar um pouco por vocês mesmos.