quarta-feira, setembro 27, 2006

It's information, stupid!

"Amigo: alguém que sabe de tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo" - Elbert Hubbard

Hoje falámos de informação. Talvez não exista no mundo coisa mais abundante, dada a quantidade dela que nos rodeia, nos jornais, na televisão, nos outdoors, na máquina do passe, nos relógios, nos sinais de trânsito, nas aulas, nos intervalos e suas coscuvilhices, nos horários, na paisagem, no tempo, nas conversas, etc.
E quando a informação falha? Veio-me então à cabeça o caso da Enron: tudo normal, uma grande companhia americana, com milhares de empregados e lucros assinaláveis. Acontece que esta realidade, construída durante anos e anos sobre bons resultados, foi apanhada de surpresa com a descoberta de que, afinal, a informação em que se baseava estava toda errada. Milhares de trabalhadores ficaram no desemprego, milhões de accionistas com as carteiras a arder. Tudo porque se tinham baseado em informação falsa. Se alguém pensa que este caso não afectou nada mais que os mercados financeiros, engana-se redondamente: milhares de trabalhadores tinham planeado uma vida com base nos seus empregos, até então estáveis, talvez tenham comprado casa nova, tido mais um filho, tudo a pensar no salário certo ao fim do mês. Apanhados de surpresa, muitas pessoas perderam as suas poupanças, tudo porque o gigante Enron afinal estava atolado em dívidas disfarçados com truques contabilísticos. Vítimas da informação!
Em todo o lado há informação, e um mundo sem informação não existiria, pois apenas a existência já é em si informação! É pois inevitável basearmos as nossas vidas em informação. Foi com ela que crescemos, foi com ela que nos formámos como pessoas. Foi com informação que fizemos escolhas, foi com ela que organizámos a nossa vida como ela é hoje: decidimos fazer esta ou aquela cadeira com base em informações sobre o regente, o trabalho que nos daria durante o semestre, sobre a sua utilidade futura; decidimos tomar este ou aquele transporte porque é mais rápido, ou mais confortável, ou porque vamos acompanhados de gente que conhecemos; decidimos para nós este ou aquele futuro conforme a felicidade, dinheiro ou interesse que nos trará.
Vendo bem, até os nossos amigos foram escolhidos por nós com base em qualidades e defeitos, características que não passam de informação que, depois de bem processada, nos leva a preferir darmo-nos com alguém em detrimento de outrem. Quão mais profunda a relação, mais é importante a qualidade da informação, pois tornamo-nos mais amigos de quem mais gostámos do que fomos conhecendo com o passar do tempo.
E quando descobrimos que essa informação, em que tanto confiámos, está errada?

Quanto vale uma pessoa?

Quanto vale uma pessoa? É uma questão estúpida, que provavelmente nem poderá ser respondida em termos quantitativos, mas não deixa de ser interessante...
Qualquer um de nós tem um conjunto de princípios, normas, condutas e comportamentos que nos caracterizam. Somos altos, baixos, magros, gordos, loiros, morenos, giros ou feios conforme os observadores ou perspectivas. Tudo isto é resultado de um conjunto de predisposições genéticas, características inatas inerentes à nossa linhagem, que foram moldadas pelas experiências que vivenciámos ao longo da vida. À partida, à nascença, todos temos o mesmo valor, não só nesse momento, como potencial. É plausível que todos consigamos atingir um determinado estado, dado que nos providenciam as necessárias condições para o fazermos, mas é igualmente plausível que uns estejam mais aptos a desempenhar determinadas tarefas. Podemos constatá-lo no desporto, onde os países de Leste têm normalmente representantes com maior sucesso na ginástica ao passo que a raça negra tem maior apetência para modalidades que exigam uma grande capacidade de explosão como corridas de velocidade, ou de resistência como as corridas de fundo.
Constatações à parte, esta valorização depende sempre do observador. É um exercício subjectivo, pois as diferentes importâncias que atribuímos a diferentes características faz-nos olhar as mesmas coisas de forma diferente. Contudo, como alguém que respeito muito me explicou um dia, o que está certo, está certo e há coisas inerentemente erradas. Sabemos isto se possuirmos mecanismos morais que nos façam discernir o bem do mal, mas o que é facto é que há coisas certas e outras erradas. Chegamos assim ao cerne da questão: ao tirar uma "foto" hoje a duas pessoas, com características semelhantes ou não, conforme achemos relevante esse facto ou não, que estejam notoriamente separadas pelo que conseguiram até hoje, pelo que representam, pelo que "são", não poderemos dizer que uma vale mais que outra, seja lá o que for que isso queira dizer?
Não me interpretem mal. Não tenho intenção de apurar raças, erradicar os fracos nem nada que se lhe pareça, mas não consigo deixar de pensar que um humanista vale mais que um pedófilo (dado que ambos não se intersectem é claro).

segunda-feira, setembro 25, 2006

Asneira

Quer seja pela sua própria natureza, quer seja pela maneira como é interpretada, a asneira é intrinsecamente didática, já que nos permite aprender. A nossa valorização sobre o que está certo e errado pode assim ser ligeiramente alterada, já que uma coisa errada, que nos faça ver o que está certo, não foi assim tão má.
Os arrependimentos são para quem não sabe o que faz, ou para quem pensa no que poderia ter acontecido se tivesse feito. Não são para quem faz, mesmo que faça mal. Ao cometermos erros aprendemos e, no futuro, estaremos habilitados a não incorrer em certos comportamentos ou atitudes. Se não tivéssemos feito a asneira, nunca nos aperceberíamos que era exactamente isso - uma asneira.
É por isso que mais do que reflectir na asneira, devemos reflectir em como emendá-la tentando sempre ajuizar como as nossas acções poderão restabelecer a "verdade" e relegar a asneira para um plano menos importante, mas nunca para o esquecimento.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Sleeping vs waking up

When fate presents itself upon us as something we can't master, we feel as everything around us is crumbling down. Our brain stops its normal activity, adrenaline kicks in, and as the trembling spreads troughout our entire body, negative thoughts get the best of us. We try to snap out of it, but we get hit back, and as we fall to the floor, although we lay awake, we wish we were asleep, because everyone knows that in dreams you never get hurt, you always wake up just in the nick of time...
When fate presents itself upon us as we always wanted it to be, picture perfect, cristal clear, all there's left to do is rejoice on our good fortune. However, "You can fool some of the people all the time, and all the people some of the time, but you can never fool all the people all the time.". That is why sooner or later something or someone falls out of place and you come to realize that reality is never picture perfect, and scarcely cristal clear, making your world nothing more than a shallow dream. You then want to wake up, because pleasureable as dreams can be, if you let yourself be caught up on them, you'll never truly enjoy life...
To lay awake in a world of peril, or to fall into a never ending slumber of ilusion are not the only two choices we have. So what can we do to ignore them inside us? Do we follow our instincts blindly? Do we hide our mind from these bad dreams and give in to sad thoughts that are maddening? Do we sit here and try to stand it, or do we try to catch them red handed? Do we trust some and get fooled by fonyness, or do we trust nothing and live in lonelyness?
If we turn our backs we're defenseless, and to go blindly seems senseless. If we hide our minds and let it all go on then they'll take from us 'till everything is gone. If we let them go we'll be outdone, but if we try to catch them we'll be outruned. If we're cheated by the questions like a cancer, then we'll be burried in the silence of the answers by our selfs.
We will know what to do, when we see that action and consequence are much more than powers beyond our reach and domain, but the very essence that keep us moving, that make life worth living for.
Sleep when you're tired, get up when you have to and whatever you do, live the dream.

segunda-feira, setembro 18, 2006

"Xiiii, isso aí é uma vida de trabalho!"

“Amigo: alguém que sabe tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo” - Elbert Hubbard

Anda por aí uma fantástica conclusão: ter amigos dá trabalho! Reflecti sobre a temática, a princípio muito reticente mas depois cheguei à conclusão de que é verdade, ter amigos é das coisas que mais trabalho dá! Devíamos mesmo ser considerados super-heróis só por termos amigos!
Ora vejamos: temos de ouvir as suas tragédias, às vezes sem pachorra nenhuma, na maior parte das vezes nem são originais, já ouvimos mil vezes a mesma conversa. Temos de os apoiar sempre, muitas vezes nem acreditamos muito que aquilo vá dar resultado. Temos de nos preocupar constantemente sobre as suas notas, os seus trabalhos, os seus amores e desamores, a sua saúde, o seu estado de espírito, tudo... Temos de dar mil voltas à cabeça para dar prendas no dia de anos que transmitam a sua importância para nós.
Se vamos de férias e não dizemos nada durante alguns dias temos logo fita na primeira conversa! Quantas vezes não tivemos já de fazer os maiores passos de acrobática para conseguir ir a festas ou encontros, que coincidem com testes, exames, ou mesmo com outras festas e encontros?
E depois são os favorezinhos, os jeitinhos, os empréstimos… E as secas que já todos apanhamos a esperar por alguém que depois se esqueceu, que não acordou, que teve um imprevisto e nos deixou à seca sem avisar?
Falta ainda os sapos engolidos em nome da amizade, as desilusões que temos de esquecer, as verdades que calamos só para não nos chatearmos, as perdas de cabeça com determinadas teimosias para nós sem fundamento, o esforço que às vezes temos de fazer para perceber o que causou mal-estar, entender onde é que errámos e tentar emendar.
A ver bem, limpar o pó, dar graxa aos sapatos, andar de transportes públicos, estudar, apanhar a roupa, trabalhar, dobrar a roupa, passar a roupa, ir comprar o pão ou o jornal, ir visitar a tia ou fazes exames dá muito menos trabalho. Pode custar fisicamente, ser um aborrecimento, mas quando se acaba está acabado e podemos ir para o sofá ver a novela.
Mas não é por a casa estar limpa que vou ser apertado nos braços de alguém que com isso só me quer dizer obrigado, nem é o feijão verde descascado que me vai dizer “Gosto de ti”! Não é o motorista do autocarro que me apertará a mão no ombro daquela maneira que me dá a perceber que apenas me agradece por ser seu amigo, por estar ali! E aquele beijinho depois de uma grande noite de converseta?
Ter amigos dá muito trabalho, é verdade, but… who cares?

quarta-feira, agosto 30, 2006

Afinal quanto vale este blog?

Num desses sites que por aí andam dá para ver quanto vale aqui este cantinho! Fiquei indignada quando me disseram que vale apenas $12.00!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

$12.00 ??????????????????????????????????????

quinta-feira, agosto 24, 2006

Caminhadas

"Determinadas coisas significam determinadas coisas". Uma frase aparentemente pleonástica, eventualmente circunloquiar, mas com muito que se lhe diga...
Qualquer coisa tem uma função, mesmo que seja inútil. Essa função é habitualmente do conhecimento geral, apesar de algumas mentes iluminadas descortinarem nas coisas mais banais funções alternativas, à primeira vista eventualmente ridículas, condenadas a permanecer no quase anonimato. Contudo, muito mais interessante é debruçarmo-nos sobre o simbolismo dessas coisas. Aqui, muito pouca coisa é determinada, ou pelo menos muito pouca coisa é fechada. Um pedaço de casca de árvore é aparentemente inútil, mas é para mim uma recordação de infância, um suspiro alegre, um saudosismo profundo. A função, dirão alguns, é recordar. A finalidade, digo eu, é carregar baterias. Quando revivo esta recordação, crio uma cadeia de valor: através da recordação, passo da casca de árvore à obtenção de energia, energia essa contida na casca de árvore, que activada pela minha recordação, se transfere para mim, passa ao estado gasoso, é expelida pela minha boca e nariz, por acção dos meus pulmões, sob a forma de suspiro e se espalha por aí. No universo nada se perde, tudo se transforma.

No fundo tudo o que fiz foi caminhar. Desloquei-me de um ponto A para um ponto B e nesse sentido caminhei. Não me desloquei fisicamente, embora tenha causado deslocções ao nível do físico, mas simbolicamente caminhei.

Caminhar é decerto útil e tem para mim várias finalidades. Caminhei recentemente da Avenida de Roma atá à Amadora. No passado tinha já caminhado da Sé de Lisboa até à Amadora, do Campus de Campolide até à Amadora. A utilidade esteve lá, as finalidades também, a cadeia de valor imensa. Espero caminhar mais no futuro, cada vez com mais energia...
A vós que como eu caminhais por uma metrópole de pensamentos, deixo uma sugestão: não se preocupem para onde vão; pensem antes por onde que chegam lá na mesma.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Os três da vida airada

Começa o Verão
sem grandes expectativas,
estando presente a recordação
de experiências vividas.
Inesperadamente, algo muda
toda a conjuntura;
uma airada vida
é o que o futuro augura!
Conversas seja onde for,
almoços em casa ou na rua,
teorias sobre a cor
(cada um de nós tem a sua).
Neves e trovões
são constantes neste Verão.
Medos, ideias, pensamentos, recordações,
problemas respeitantes inclusivé ao coração
E quando Setembro chegar
tudo vai ser esquisito,
mas a recordação vai ficar
de um Verão bem bonito...

quarta-feira, agosto 16, 2006

O nascer de Albatroz

Subitamente, uma desconhecida agitação perturba o meu calmo descanso. Não conheço esta nova sensação, e apesar de não ser muito desagradável, incomoda-me. Irrompendo na minha vida rotineira, traz-me o azo da preocupação.
À medida que o tempo passa, a perturbação aumenta, não só à minha volta, mas em consequência disso mesmo, também dentro de mim. As paredes ao meu redor parecem quebráveis, e sinto que devo parti-las, ver o que está do outro lado, acabar com a claustrofobia que de repente se apoderou de mim. O desconhecimento da nova sensação é gradualmente esquecido, e substituído pelo medo e pânico que a revolução à minha volta provoca em mim...
Por esta altura, a adrenalina que me corre nas veias despertou todos os meus sentidos, e talvez por isso, quando após muitas tentativas, vejo uma brecha abrir-se na parede e a luz irrompe para dentro do meu mundo, ouço sons que nunca ouvi antes. É quase como se uma porta se tivesse aberto, trazendo para o meu pequeno mundo vestígios de um outro, paralelo ao meu, que lentamente se revela, cada vez mais forte, alargando e dilatando uma passagem, convidando-me para o visitar. Mas eu sinto-me bem no meu mundo, a sua simplicidade dá-me tudo o que necessito, e não tenho qualquer interesse em abandonar o meu lar, trocando-o por outro que desconheço em absoluto.
Impelido pelo instinto, saio lá para fora. Este novo mundo é estranho, enorme, não tem o conforto do meu anterior lar, e a minha primeira reacção é a de piar compulsivamente, pois tenho medo, fome, frio, não percebo nada. Então aparece alguém que me conforta, que me acaricia com o seu bico, que me aquece com a sua penugem, que regurgita para dentro de mim um quente e nutritivo pequeno-almoço e sinto-me bem, confiante no que o futuro me reserva...
A 15 de Agosto de 1986, tornei-me Albatroz.

segunda-feira, agosto 14, 2006

A resposta

A inspiração provém de diferentes sítios. Ninguém sabe bem como ou porquê, mas há palavras, imagens, recordações que nos ficam gravadas na memória para serem despoletadas em alturas específicas, repetidamente, ideias que ecoam na nossa cabeça até que alguém do outro lado responda. O tempo e esforço empregues na obtenção da resposta são tão pouco importantes como ela própria. De que vale ter uma coisa se não a utilizamos, de que vale sumo de maçã, pêra e manga quando só queremos água del cano?
Às vezes a resposta acaba por nunca surgir, mas enquanto a procuramos vamos aprendendo muitas coisas em que nunca tínhamos pensado que acabam por contribuir para a construção de um pensamento mais estruturado e uniforme. Importa ter em mente o objectivo final, mas sem dúvida que o caminho percorrido, ao variar de uns para outros, altera ligeiramente a maneira de interpretar esse resultado final, pelo que talvez não seja necessariamente bem-vinda, aqui, a eficiência.
Ao forçarmos demasiado algo, corremos o risco de quebrar, mas asseguramos que não nos esquecemos do caminho percorrido até então, podendo retomá-lo futuramente.
Chegando a um ponto em que não conseguimoa avançar mais, tudo à nossa volta começa a tremer e a incapacidade para compreender um assunto específico extrapola e de súbito não compreendemos nada, não sabemos quem somos. Nestes momentos vemos de que somos realmente feitos, quão fortes realmente somos. Quando tudo está bem, está tudo bem, mas quando tudo parece mal cabe-nos a nós provar que as aparências iludem.
Agora que temos a nossa resposta podemos utilizá-la de várias formas, nenhuma necessariamente melhor que a outra, embora algumas sejam mais louváveis.
Interessa porquê e como, pode até interessar quando, mas sem dúvida, interessa quem...
"When you try your best but you don't succeed
when you get what you want, but not what you need
when you feel so tired but you can't sleep,
stuck in reverse.

And tears come streaming down your face
when you lose something you can't replace.
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?

Lights will guide you home
and ignite your bones
and I will try to fix you..."
Coldplay
"Fix You"

quarta-feira, agosto 02, 2006

Raptos

A sociedade é formada por indivíduos, todos diferentes, ligados por uma necessidade de pertença a grupo, a uma comunidade. Esta traz várias vantagens já que os indivíduos, ao serem divididos por hierarquias e funções, sendo que o desempenhar de cada uma delas é essencial para o todo, permitem que o todo seja mais do que a soma das partes. Isto aplica-se a várias sociedades e não só à humana. Um zapping algo mais demorado pelo Discovery Channel, a Odisseia ou até mesmo os canais generalistas ao fim-de-semana (antes do jornal das 13) dá-vos vários exemplos disto patentes em muitas e diversas espécies do mundo animal. Não entrando por aí, seguiremos um caminho melhor delineado, analisando a sociedade animal racional.
O Homem é um animal social. Todos sentimos necessidade de conviver com os nossos pares, com os nossos semelhantes. Não só pelas mesmas razões que levam à formação dessas sociedades no mundo animal, mas principalmente porque o Homem é um animal social especial - é um animal social racional. A nossa sociedade nasce do contributo não só, mas também, intelectual de cada um dos seus indivíduos. Os seus valores, princípios, padrões comportamentais, vontades e objectivos acumulam-se num aglomerado heterogéneo e dinâmico chamado sociedade. No entanto, para que a vivência em sociedade seja exequível, muitos dos impulsos mais primitivos e bruscos dos indivíduos têm de cair. Não porque desapareçam, mas porque caem para um local mais profundo do nosso ser, permanecendo lá, atolhados debaixo de condutas e regras de boa educação que todos seguimos, uns mais, outros menos. Os animais irracionais agem de forma semelhante, mas os seus condicionalismos são mais fracos e têm origens não no raciocínio, mas no instinto e na avaliação que cada animal faz das suas capacidades e competências, em relação aos outros.
Enquanto andamos por cá, habitamos no meio de toda esta mescla social, tentanto usar o raciocínio para moldar as nossas acções e as emoções para justificar o processo de raciocinar, até que às vezes, somos raptados.
Levados para longe de tudo isto - para uma ilha deserta, para uma viagem de carro pelo deserto do Arizona, para um inter rail, para uma cadeira. Esses raptos permitem-nos sair momentaneamente da sociedade e criar tribos: pequenos grupos de pessoas com uma ideia que une todos, que é interpretada de diferente forma por todos, sem objectivos concretos. Nesta tribo-societal criam-se ligações, recordações, imagens, descobre-se e troca-se informação e depois acaba-se a tribo no sentido físico, perdurando em cada um dos membros da tribo algo que não os muda, mas que os faz evoluir, como se uma espécie de energia residual ficasse guardada algures para às vezes ser reutilizada.
Reintegrados na sociedade, não temos de todo uma visão mais clara dela, mas temos uma visão mais clara de nós, porque ouvimos coisas que não esperávamos e ouvimos coisas que já sabíamos explicadas de uma forma diferente.
Obrigado minha tribo, por me raptarem.

segunda-feira, julho 31, 2006

London by Night

AVISO: As imagens que se seguem podem ferir susceptibilidades e causar danos irreversíveis em pessoas sensíveis, com problemas cardíacos ou grávidas.


Era uma vez um menino que não dançava. A vida desse menino era um pouco mais triste por não poder exercitar os seus pés (sem contar com as pisadelas). Até que um dia surgiu a oportunidade de ir a uma festa da tão aclamada LSE. Foi aí que tudo mudou. O menino, que antes se encostava às paredes a beber a sua pint pôde finalmente dar azo à sua vontade de dançar. E foi um ver se te avias!!! Bebeu, dançou, bebeu, pulou, pisou alguém, bebeu, levantou o braço e posou para a fotografia.

Era uma vez três meninas, numa selvagem discoteca de Londres. Entre as 10 perseguições, as 6 apalpadelas e as 4 intervenções ao ouvido sobraram cerca de 5 minutos para se divertirem. E viva o "Hips don't lie"!

Beijinhos dos Londrinos!

quarta-feira, julho 26, 2006

Filmes, séries, livros e pensamentos

Quando recebemos estímulos exteriores, somos afectados por eles. Alteram as nossas perspectivas, a nossa maneira de encarar as coisas e o nosso grau de receptividade aos mesmos. Assim "crescemos" e nos tornamos quem um dia havemos de ser. Mesmo que fossemos todos submetidos aos mesmos estímulos, seríamos diferentes. Poderíamos então ver até que ponto as nossas características inatas influenciam mais ou menos a nossa maneira de ser e agir.
Ao eliminarmos a capacidade de aprendizagem não nos afastaríamos muito do que temos hoje, mas poderíamos rotular com mais facilidade cada indivíduo. Neste mundo adulterado sentir-nos-íamos instantaneamente atraídos por quem tivesse as características que se encaixassem nas nossas e, pelo meio, sobrariam inúmeros incompatíveis. Sem a capacidade de criar instrumentos que permitam contornar o que não gostamos nos outros, aceitaríamos (ou não) as pessoas como elas verdadeiramente são e ninguém se poderia sentir injustiçado.
Mesmo assim arranjaríamos forma de complicar o que é simples e procuraríamos, como hoje, solução para os problemas batidos e rebatidos em filmes, séries, livros e pensamentos.

terça-feira, julho 11, 2006

Bitates

O objectivo dos telemóveis é o de aumentar a flexibilidade nas comunicações. O telemóvel é por definição um telefone móvel, um que podemos transportar, que podemos utilizar enquanto caminhamos pela rua. No entanto, não são raras as pessoas que detêm a sua locomoção para atender o telemóvel. Quando têm pouca rede, alguns curvam-se tentanto aproximar a cabeça (e consequentemente o telemóvel) o mais possível do solo, na esperança de que a qualidade da comunicação melhore. Várias vezes vi esta técnica ser utilizada e diz que resulta.
A emissão de opiniões é uma prática saudável, que permite o aumento de conhecimentos não só do emissor da opinião, como de quem a recebe. No entanto, no outro dia emiti uma opinião e o meu pai disse "Respeitinho!!". Não raras vezes são as emissões de opinião entendidas como ofensas e desrespeitos.
As pessoas possuem várias características. São elas que determinam a sua maneira de ser e de agir. No entanto, muitas vezes as pessoas se esquecem dessas suas características e sentem-se incomodadas pelos outros. Quando os outros são crápulas, nós somos por vezes afectados pela sua crapulice, acabando por nos esquecermos de quem somos, por insegurança, ou consequência das circunstâncias.
No fundo, a frequência, intensidade e qualidade das nossas interacções uns com os outros, determinam a nossa maneira de ser, bem como podem num dado momento afectar as disposições a que estamos sujeitos, alterando os nosso comportamentos.

sexta-feira, julho 07, 2006

Convocatória

Convocam-se os administradores do blog para: REMODELAÇÃO DO ESPAÇO. Por favor relatem a vossa disponibilidade.

quarta-feira, julho 05, 2006

Angel wings

I see the sky, I see the clouds, but your face seems to be away from my sight
I see the ocean, I see the waves, but your eyes are far from my sight
I see the sand, I see the rocks, but my heart knows that you can’t see me…

We have met like angels, you gave me your life and I shared little pieces of mine, between us there is just an ocean, just water, and yet the distance relies upon a glass that will be broken soon. We shall shake our wings and fly to our desert island underneath the blanket that has been with us since the beginning. The only pain will be felt when you need to leave, but…

I no longer see the ocean, just your face, your eyes, and your smile. There is no beach; there is no sand or water, only me and you in a deep embracement...

sábado, julho 01, 2006

Boas FÉÉÉRIAS (na esperança que desta vez ninguém apague isto) ...
Viva Portugal (seja qual for o resultado de amanhã e, esperemos, dos próximos jogos) ...
E até ao meu regresso !!!

terça-feira, junho 27, 2006

Michelle

Sinto-me estranho. Estou melancólico como é habitual nestas alturas, mas desta vez a introspecção que me assola é mais densa...
Hoje senti uma coisa que estava inerte há anos e percebi. Percebi o porquê dessa inércia me pôr sempre um sorrisinho nos lábios, fazendo sentir a sua presença esporadicamente. Percebi o porquê de ela existir e percebi que ela não era bem o que eu esperava.
Só alguém deveras iluminado para me fazer ver o mundo de maneira diferente e repensar coisas que julgava há muito encerradas. (Odeio-te!)
No meio disto tudo percebi porque é que me bateu tão forte. Tive medo de nunca mais sentir aquele quentinho quando me deito no sofá e pouso um braço sobre o peito. Tive medo de nunca mais sentir aqule macio de cama feita com lençóis lavados e banhinho tomado. No fundo, tive medo de nunca mais ver aquele azul mais bonito que tu trazes, ao qual me habituei nos últimos tempos.
Falta-me uma conclusão, mas não a escrevo. A história ainda não acabou e sei que continuará no ecrã de cinema que é o tecto do meu quarto.
Não te cuspo em cima, mas já levas uns belos gafanhotos...

quarta-feira, junho 21, 2006

Há momentos em que apetece dizer algo, mas não dizemos. Não sei porque não digo talvez sinta que isso nem faz assim tanta diferença. Palavras sentidas às vezes não fazem diferença se são ditas se não, afinal de que valem palavras quando quem as escuta não as ouve verdadeiramente? Que mal tem se eu não as disser?

alguém me ouve? está aí alguém?

talvez esteja talvez não esteja,talvez oiçam, talvez compreendam o que afinal eu julgava incompreensivel.
talvez um dia quando menos esperares eu já não esteja aqui...

"some day you'll look, to see I've gone, but tomorrow may rain so I'll follow the sun.." John Lennon e Paul MacCartney

segunda-feira, junho 12, 2006

“You know you can always count on me… for good times and bad times I’ll be by your side forever… that’s what friends are for…”

Agora queria estar ao teu lado
Queria poder dizer o quão gosto de ti, o quão gostamos de ti, que sentimos a tua falta
Dizer-te que sem ti há gargalhadas que não acontecem, que há coisas que não têm piada
Não quero estar aqui sentado e saber que a única coisa que posso fazer é escrever algo que só poderás ler quando voltares para casa
Não gosto de saber que agora que precisas de mim, de nós, e ninguém pode estar ao teu lado
E um (muito) amigo teu telefonou-me a contar a “novidade” e quando perguntei porque é que ele me estava a contar, obtive um “É para desabafar”
E odiamos não puder pegar no carro e ir abraçar-te, fazer-te cócegas, dizer que tudo vai acabar bem e depressa, aquela carícia no cabelo
E agora lembro-me dos mails em que dizem para lembrarmos aos nossos amigos que gostamos deles, sempre com história muito comoventes
Não é nada que não saibamos, que temos amigos que gostam muito de nós
Mas é tão melhor quando nos dizem…
Gosto de ti!