quarta-feira, novembro 08, 2006

Físico - especial versus banal

Não é costume, mas hoje sinto dificuldade em passar para palavras o que penso. As coisas não me saem fluídas e de uma forma abstracta, poderemos pensar que é exactamente pela temática que me perturba: as acções. Costuma dizer-se que falam mais alto do que as palavras, e por isso mesmo, penso que não será escrevendo que validarei o meu ponto de vista: primeiro, porque não sei bem qual ele é; segundo, porque desconfio que não é o mais correcto.
Para que o leitor perceba minimamente do que falo, falo da necessidade de contacto físico. Uns têm mais, outros menos, mas ela existe. A questão principal é que ao termos gestos físicos para com outros regularmente, banalizamo-los. Quando, naquelas ocasiões específicas quisermos sinalizar aos outros que aquele momento é especial, diferente, teremos mais dificuldade em fazê-lo. Por mais que argumente que ao praticar-mo-los regularmente já mostramos aos outros que são diferentes, não consigo deixar de pensar que o primeiro ponto de vista tem muito que se lhe diga. Isto porque tenho regularmente gestos físicos para com pessoas que não me sendo indiferentes, não são daqueles que levava comigo para o deserto do Arizona, que é como quem diz, não são as mais especiais.
O problema fundamental é que não sei bem porque o faço, e na minha busca incessante pela razão de tudo (alguns dirão que penso demais) incomoda-me não conseguir justificar as minhas próprias acções.
Quando a teoria é defendida por pessoas cuja opinião valorizo muito, o problema torna-se ainda mais gravoso, pois se é certo que nenhum tem que ter necessariamente razão, o facto dos melhores argumentos não serem os meus incomoda-me.
No fundo, ao não conseguir racionalizar o porquê das minhas acções, penso se será correcto o meu ponto de vista. Como se costuma dizer: "se não os podes vencer, junta-te a eles!"
Quem me faz pensar nisto, questionar as minhas próprias ideias, é sem dúvida especial e gostaria um dia, num momento de perfeita harmonia e plenitude mostrar-lho, fazendo com que o físico evidenciasse o quão importante é o psicológico (que é como quem diz: "Odeio-te!").

Se eu tivesse tempo...

Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia o que me vai pela alma.
Se eu tivesse tempo, talvez falasse sobre o que me entristece há mais de um mês.
Se eu tivesse tempo, talvez me queixasse de como os trabalhos de grupo monopolizam a minha vida.
Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia porque finjo.
Se eu tivesse tempo, queixar-me-ia dos amigos que não vejo, do desporto que não faço, da matéria que não estudo, do sono que não durmo, da diversão que não tenho.
Se eu tivesse tempo, explicar-vos-ia porque é já não me apetece rir.
Se eu tivesse tempo, falar-vos-ia de como estou a conhecer melhor certas pessoas.
Se eu tivesse tempo, falava-vos das pessoas maravilhosas que vou descobrindo aos poucos.
Se eu tivesse tempo, falar-vos-ia de como me sinto posto de lado por alguém que me diz muito.
Se eu tivesse tempo, talvez vos falasse das conversas com esse alguém que me deixam esperançoso que a tristeza acabe.
Se eu tivesse tempo, falava das fotografias para as quais me custa olhar e das que saíram do sítio.
Se eu tivesse tempo, queixava-me da chuva.
Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia como, pouco a pouco, estou a ficar mais sozinho, nas aulas, nos passeios, na natação.
Se eu tivesse tempo, talvez vos falasse das festinhas no cabelo, dos encostos de cabeça e dos amarelos também.
Se eu tivesse tempo, talvez o perdesse com os amigos de sempre.
Se eu tivesse tempo, explicar-vos ia como há pequenos nadas que são tão grandes.
Se eu tivesse tempo, talvez me debatesse sobre como um gesto dos outros pode causar um furacão em nós.
Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia o quão me entristece olhar para trás e perceber o quão já fui feliz.
Se eu tivesse tempo, falar-vos-ia das lágrimas que não caíram.
Se eu tivesse tempo, talvez procurasse pelo Jota.

Ele anda por aí, não sei onde, mas sei que anda. Ele teria tempo. Eu não tenho…

terça-feira, outubro 31, 2006

PARABÉNS!

(e mais não digo, não vão alguns dizer que ando a dar graxa aos professores!)

domingo, outubro 22, 2006

Tigas e a Ginástica



Nunca uns campeonatos tinham sido tão apreciados pelo nosso amigo Tigas...

segunda-feira, outubro 16, 2006

Sabes amar?

“Eu estou a aprender. Estou a aprender a aceitar as pessoas mesmo quando elas me desiludem, quando fogem do ideal que eu tenho para elas, quando me ferem com palavras ásperas ou acções impensadas. É difícil aceitar as pessoas como elas são, não como eu quero que sejam, mas como elas são! Ainda estou a aprender a amar. Estou a aprender a escutar, escutar com olhos e ouvidos, escutar com a alma e com todos os sentidos, escutar a mensagem que se esconde por entre as palavras fúteis e superficiais. Estou a aprender a descobrir a angústia disfarçada, a insegurança escondida, a solidão encoberta. Estou a aprendera ultrapassar o sorriso fingido, a alegria simulada, a vanglória exagerada. Estou a aprender a descobrir a dor de cada coração. A aprender a perdoar, porque o amor perdoa, atira para longe as mágoas e apaga cicatrizes que a incompreensão e insensibilidade gravam no coração ferido. O amor não cultiva ofensas com lástima e auto-compaixão. O amor perdoa e esquece. Extingue todos os traços de dor. Passo a passo, estou a descobrir o valor que se encontra dentro de cada vida, de todas as vidas, valor soterrado pela rejeição, pela falta de compreensão, carinho e aceitação, pelas experiências duras vividas ao longo dos anos. Estou a aprender a ver nas pessoas e as possibilidades que Deus lhes deu. Estou a aprender, mas é difícil e demora esta aprendizagem. Aprendo a colocar os meus interesses, a minha ambição, o meu orgulho de lado quando estes impedem o bem-estar e felicidade de alguém. É difícil amar” – autor desconhecido in Livro do Visionário

Acho que para tudo é preciso um esforço. Dedicarmo-nos a conhecer o outro é algo que exige de nós uma predisposição para mudarmos em nós algo que o incomode. Mas queremos ver resultados, ou seja, queremos ver esse esforço também do outro lado. Porque se não, remamos contra a maré e quem se afunda somos nós. Porém, por muito que nos custe, temos de admitir que o outro lado pode não querer mudar, e aí somos nós que temos de repensar o nosso rumo. E é normal que, por vezes, as pessoas choquem, desabafem o que está há muito esquecido lá dentro, o digam de uma forma que nem sempre é a de pessoas que gostam uma da outra.
Não sou um santo, nem tenho pretensões de vir a sê-lo, mas tento compensar isso com pequenas alegrias que vou tentando dar. Já percebi que muitas delas não valeram de muito, mas fi-lo com as melhores das intenções, apenas para tentar que os vossos dias fossem um bocadinho melhores. As mais sinceras desculpas pelas vezes em que aconteceu o contrário.

quarta-feira, outubro 11, 2006

As Mais..

convidaram-me para lanchar como prémio já antigo ganho... uma palavra para o lanche:

Surpreendente!

ps: na verdade este post até podia ter sido um comment lá no blog delas mas apetecia-me dar mais relevo à coisa!

terça-feira, outubro 10, 2006

Mais depressa se apanha...

Desde há muito que queria falar sobre este tema, dá-se por Mitomania e revela a tendência mórbida para a mentira.

Como é óbvio, ao longo da nossa vida contamos uma mentira ou outra, as chamadas “piedosas”, como quando dizemos a algum familiar que a camisa que nos ofereceu é muito gira e que a iremos usar, mas na verdade nunca nos veríamos com a peça. Não é disto que falo, mas sim das que acabam por atingir e prejudicar terceiros.

Depois de ter feito uma pesquisa sobre o tema, fiquei a saber que a mentira pode ser um indicador de problemas emocionais, como a necessidade de aceitação. Questão – Até que ponto pode ser levada uma mentira apenas para que a pessoa se possa sentir integrada num grupo ou bem consigo mesma? Mesmo que essa pessoa faça já parte de um grupo que a aceite como verdadeiramente ela é, o que a impulsiona, então, para insistir na mentira?

Na continuação da minha leitura vi ainda que a mentira surge em diversas formas:
· Ocultação da verdade – a pessoa tenta evitar abordar a questão, conduzindo o assunto para outro tema.
· Falsificação da verdade – a pessoa fica ofendida por achar que que outra desconfia dela.
· Mostrar credibilidade quando conta a mentira – a pessoa tenta gozar com a situação com que é confrontada e tenta manter a sua posição.
· Adiar a resposta – a pessoa não nega a mentira, mas tenta adiar ao assunto.
Ainda outra coisa que me divertiu foi ler a teoria do “como identificar um mentiroso”:
· Os olhos – A pessoa tenta não olhar directamente para a outra enquanto mente (há quem fale em olhos que flutuam no espaço, lol?)
· A pela – A pessoa pode ou não ficar com vermelha, o que é explicado pelo facto da pessoa ficar em stress, com muita adrenalina e porque o sangue circula mais rapidamente, a pele fica avermelhada.
· Os pés – pessoas que mexem os pés enquanto a contam, podendo até mostrar algum desejo de sair daquele espaço físico, tentando acabar rapidamente com a conversa.
· Transpiração – a pessoa fica tensa ao mentir e pode transpirar.
· A fala – se o “mentiroso” estiver stressado com a situação, ele tenta contar a história o mais rápido possível, aumentando o nível da fala (ou até mesmo tentar contar a história num tom de voz muito baixo, para que outros não o possam ouvir).
Tudo muito giro, não é? Pois, mas isto não interessa nada quando se fala de Mitomania.

Na verdade, quem sofre desta “doença” pode muito bem não ter nenhum destes “sintomas”, o que o obriga a viver uma vida que não é inteiramente a sua, apesar de ser fruto da sua imaginação. Muitos destes “mentirosos compulsivos” acreditam piamente nas mentiras que contam, tanto que podem até ter reacções bastante emocionais e próprias quando confrontados com a real verdade. Para algumas, a sua vida é perfeita, tão perfeita que muitas vezes acabam por entrar em exageros, levando-os à sua própria denúncia.
O que é mais grave, e podem confirmar isto se pesquisarem, dizer a verdade pode ser um acto de sofrimento para estas pessoas, porque o mundo de fantasia que criam é preferível ao que realmente possuem.

Aquilo que gostava de saber é: como posso eu ajudar alguém que acredita tão piamente na sua verdade, que não vê que está a mentir e, sem perceber, a afectar-nos a nós? Será verdade que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo?

sexta-feira, outubro 06, 2006

Aprendizagens

É bom constatar que as conversas que imaginamos na nossa cabeça, vezes e vezes sem conta, não correm como esperado. Significa que do outro lado está uma pessoa capaz de nos surpreender, nem que seja por ser ela mesma. Todavia, sentimos depois uma leveza nos ombros, alcançada ao conseguirmos dizer o que queríamos, a quem queríamos. Passamos a um novo nível: diferente, não por haver uma cisão para com o anterior, mas porque o anterior é completado, redefinido, aumentado sustentadamente não pela obtenção de coisas novas, mas pela arrumação de coisas velhas. Sei que é assim não porque percepcione a mudança de uma forma estagnada, não porque consiga separar as diferentes etapas, mas porque sei que há uma ligação entre elas, sendo que ainda não chegámos à etapa final.
Interrogo-me se será mais válido tomar o caminho difícil, longo, complicado, ou optar pela solução óbvia, que salta aos olhos de todos, de que só se fala baixinho e quando mais ninguém ouve, que não pode ser verdade, porque se fosse, tudo seria fácil. A vida não se quer fácil: a piada está em perceber que de tão complicada que é, só pode ser explicada de forma simples; absorver a sua simplicidade é que é complicado.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Para (me) ajudar a virar a página...

“Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a inteligência de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno amanhã é incerto demais para planos, e o futuro tem o costume de fracassar a meio.
E aprendes que não importa o quão tu te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que tu tens na vida, mas sim quem tens na vida.
E que os bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam; percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida te são tiradas muito depressa, e por isso devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vemos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que não importa onde já chegaste, mas para onde estás a ir, mas se não sabes para onde vais, qualquer lugar serve.
Aprendes que, ou tu controlas os teus actos ou eles controlar-te-ão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprendes que ter paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que tu esperas que te vire as costas, é das poucas que te ajudam a levantares-te quando cais.
Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve, e o que aprendeste com elas, do que com quantos aniversários te defrontaste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que tu pensas.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama da forma que tu queres que ame, não significa que esse alguém não saiba amar, pelo contrário, ela ama-te como pode, pois existem pessoas que nos amam mas simplesmente não sabem como o demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tu tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, serás tu nalgum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração ficou partido, o mundo não pára para que o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperares que alguém te traga flores...
E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não se pode ir mais.
E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor perante a vida!
As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.” - William Shakespeare

P.S.- Um obrigado à amiga Ruiva, que num belo dia me apresentou Shakespeare...

quarta-feira, setembro 27, 2006

It's information, stupid!

"Amigo: alguém que sabe de tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo" - Elbert Hubbard

Hoje falámos de informação. Talvez não exista no mundo coisa mais abundante, dada a quantidade dela que nos rodeia, nos jornais, na televisão, nos outdoors, na máquina do passe, nos relógios, nos sinais de trânsito, nas aulas, nos intervalos e suas coscuvilhices, nos horários, na paisagem, no tempo, nas conversas, etc.
E quando a informação falha? Veio-me então à cabeça o caso da Enron: tudo normal, uma grande companhia americana, com milhares de empregados e lucros assinaláveis. Acontece que esta realidade, construída durante anos e anos sobre bons resultados, foi apanhada de surpresa com a descoberta de que, afinal, a informação em que se baseava estava toda errada. Milhares de trabalhadores ficaram no desemprego, milhões de accionistas com as carteiras a arder. Tudo porque se tinham baseado em informação falsa. Se alguém pensa que este caso não afectou nada mais que os mercados financeiros, engana-se redondamente: milhares de trabalhadores tinham planeado uma vida com base nos seus empregos, até então estáveis, talvez tenham comprado casa nova, tido mais um filho, tudo a pensar no salário certo ao fim do mês. Apanhados de surpresa, muitas pessoas perderam as suas poupanças, tudo porque o gigante Enron afinal estava atolado em dívidas disfarçados com truques contabilísticos. Vítimas da informação!
Em todo o lado há informação, e um mundo sem informação não existiria, pois apenas a existência já é em si informação! É pois inevitável basearmos as nossas vidas em informação. Foi com ela que crescemos, foi com ela que nos formámos como pessoas. Foi com informação que fizemos escolhas, foi com ela que organizámos a nossa vida como ela é hoje: decidimos fazer esta ou aquela cadeira com base em informações sobre o regente, o trabalho que nos daria durante o semestre, sobre a sua utilidade futura; decidimos tomar este ou aquele transporte porque é mais rápido, ou mais confortável, ou porque vamos acompanhados de gente que conhecemos; decidimos para nós este ou aquele futuro conforme a felicidade, dinheiro ou interesse que nos trará.
Vendo bem, até os nossos amigos foram escolhidos por nós com base em qualidades e defeitos, características que não passam de informação que, depois de bem processada, nos leva a preferir darmo-nos com alguém em detrimento de outrem. Quão mais profunda a relação, mais é importante a qualidade da informação, pois tornamo-nos mais amigos de quem mais gostámos do que fomos conhecendo com o passar do tempo.
E quando descobrimos que essa informação, em que tanto confiámos, está errada?

Quanto vale uma pessoa?

Quanto vale uma pessoa? É uma questão estúpida, que provavelmente nem poderá ser respondida em termos quantitativos, mas não deixa de ser interessante...
Qualquer um de nós tem um conjunto de princípios, normas, condutas e comportamentos que nos caracterizam. Somos altos, baixos, magros, gordos, loiros, morenos, giros ou feios conforme os observadores ou perspectivas. Tudo isto é resultado de um conjunto de predisposições genéticas, características inatas inerentes à nossa linhagem, que foram moldadas pelas experiências que vivenciámos ao longo da vida. À partida, à nascença, todos temos o mesmo valor, não só nesse momento, como potencial. É plausível que todos consigamos atingir um determinado estado, dado que nos providenciam as necessárias condições para o fazermos, mas é igualmente plausível que uns estejam mais aptos a desempenhar determinadas tarefas. Podemos constatá-lo no desporto, onde os países de Leste têm normalmente representantes com maior sucesso na ginástica ao passo que a raça negra tem maior apetência para modalidades que exigam uma grande capacidade de explosão como corridas de velocidade, ou de resistência como as corridas de fundo.
Constatações à parte, esta valorização depende sempre do observador. É um exercício subjectivo, pois as diferentes importâncias que atribuímos a diferentes características faz-nos olhar as mesmas coisas de forma diferente. Contudo, como alguém que respeito muito me explicou um dia, o que está certo, está certo e há coisas inerentemente erradas. Sabemos isto se possuirmos mecanismos morais que nos façam discernir o bem do mal, mas o que é facto é que há coisas certas e outras erradas. Chegamos assim ao cerne da questão: ao tirar uma "foto" hoje a duas pessoas, com características semelhantes ou não, conforme achemos relevante esse facto ou não, que estejam notoriamente separadas pelo que conseguiram até hoje, pelo que representam, pelo que "são", não poderemos dizer que uma vale mais que outra, seja lá o que for que isso queira dizer?
Não me interpretem mal. Não tenho intenção de apurar raças, erradicar os fracos nem nada que se lhe pareça, mas não consigo deixar de pensar que um humanista vale mais que um pedófilo (dado que ambos não se intersectem é claro).

segunda-feira, setembro 25, 2006

Asneira

Quer seja pela sua própria natureza, quer seja pela maneira como é interpretada, a asneira é intrinsecamente didática, já que nos permite aprender. A nossa valorização sobre o que está certo e errado pode assim ser ligeiramente alterada, já que uma coisa errada, que nos faça ver o que está certo, não foi assim tão má.
Os arrependimentos são para quem não sabe o que faz, ou para quem pensa no que poderia ter acontecido se tivesse feito. Não são para quem faz, mesmo que faça mal. Ao cometermos erros aprendemos e, no futuro, estaremos habilitados a não incorrer em certos comportamentos ou atitudes. Se não tivéssemos feito a asneira, nunca nos aperceberíamos que era exactamente isso - uma asneira.
É por isso que mais do que reflectir na asneira, devemos reflectir em como emendá-la tentando sempre ajuizar como as nossas acções poderão restabelecer a "verdade" e relegar a asneira para um plano menos importante, mas nunca para o esquecimento.

sexta-feira, setembro 22, 2006

Sleeping vs waking up

When fate presents itself upon us as something we can't master, we feel as everything around us is crumbling down. Our brain stops its normal activity, adrenaline kicks in, and as the trembling spreads troughout our entire body, negative thoughts get the best of us. We try to snap out of it, but we get hit back, and as we fall to the floor, although we lay awake, we wish we were asleep, because everyone knows that in dreams you never get hurt, you always wake up just in the nick of time...
When fate presents itself upon us as we always wanted it to be, picture perfect, cristal clear, all there's left to do is rejoice on our good fortune. However, "You can fool some of the people all the time, and all the people some of the time, but you can never fool all the people all the time.". That is why sooner or later something or someone falls out of place and you come to realize that reality is never picture perfect, and scarcely cristal clear, making your world nothing more than a shallow dream. You then want to wake up, because pleasureable as dreams can be, if you let yourself be caught up on them, you'll never truly enjoy life...
To lay awake in a world of peril, or to fall into a never ending slumber of ilusion are not the only two choices we have. So what can we do to ignore them inside us? Do we follow our instincts blindly? Do we hide our mind from these bad dreams and give in to sad thoughts that are maddening? Do we sit here and try to stand it, or do we try to catch them red handed? Do we trust some and get fooled by fonyness, or do we trust nothing and live in lonelyness?
If we turn our backs we're defenseless, and to go blindly seems senseless. If we hide our minds and let it all go on then they'll take from us 'till everything is gone. If we let them go we'll be outdone, but if we try to catch them we'll be outruned. If we're cheated by the questions like a cancer, then we'll be burried in the silence of the answers by our selfs.
We will know what to do, when we see that action and consequence are much more than powers beyond our reach and domain, but the very essence that keep us moving, that make life worth living for.
Sleep when you're tired, get up when you have to and whatever you do, live the dream.

segunda-feira, setembro 18, 2006

"Xiiii, isso aí é uma vida de trabalho!"

“Amigo: alguém que sabe tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo” - Elbert Hubbard

Anda por aí uma fantástica conclusão: ter amigos dá trabalho! Reflecti sobre a temática, a princípio muito reticente mas depois cheguei à conclusão de que é verdade, ter amigos é das coisas que mais trabalho dá! Devíamos mesmo ser considerados super-heróis só por termos amigos!
Ora vejamos: temos de ouvir as suas tragédias, às vezes sem pachorra nenhuma, na maior parte das vezes nem são originais, já ouvimos mil vezes a mesma conversa. Temos de os apoiar sempre, muitas vezes nem acreditamos muito que aquilo vá dar resultado. Temos de nos preocupar constantemente sobre as suas notas, os seus trabalhos, os seus amores e desamores, a sua saúde, o seu estado de espírito, tudo... Temos de dar mil voltas à cabeça para dar prendas no dia de anos que transmitam a sua importância para nós.
Se vamos de férias e não dizemos nada durante alguns dias temos logo fita na primeira conversa! Quantas vezes não tivemos já de fazer os maiores passos de acrobática para conseguir ir a festas ou encontros, que coincidem com testes, exames, ou mesmo com outras festas e encontros?
E depois são os favorezinhos, os jeitinhos, os empréstimos… E as secas que já todos apanhamos a esperar por alguém que depois se esqueceu, que não acordou, que teve um imprevisto e nos deixou à seca sem avisar?
Falta ainda os sapos engolidos em nome da amizade, as desilusões que temos de esquecer, as verdades que calamos só para não nos chatearmos, as perdas de cabeça com determinadas teimosias para nós sem fundamento, o esforço que às vezes temos de fazer para perceber o que causou mal-estar, entender onde é que errámos e tentar emendar.
A ver bem, limpar o pó, dar graxa aos sapatos, andar de transportes públicos, estudar, apanhar a roupa, trabalhar, dobrar a roupa, passar a roupa, ir comprar o pão ou o jornal, ir visitar a tia ou fazes exames dá muito menos trabalho. Pode custar fisicamente, ser um aborrecimento, mas quando se acaba está acabado e podemos ir para o sofá ver a novela.
Mas não é por a casa estar limpa que vou ser apertado nos braços de alguém que com isso só me quer dizer obrigado, nem é o feijão verde descascado que me vai dizer “Gosto de ti”! Não é o motorista do autocarro que me apertará a mão no ombro daquela maneira que me dá a perceber que apenas me agradece por ser seu amigo, por estar ali! E aquele beijinho depois de uma grande noite de converseta?
Ter amigos dá muito trabalho, é verdade, but… who cares?

quarta-feira, agosto 30, 2006

Afinal quanto vale este blog?

Num desses sites que por aí andam dá para ver quanto vale aqui este cantinho! Fiquei indignada quando me disseram que vale apenas $12.00!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

$12.00 ??????????????????????????????????????

quinta-feira, agosto 24, 2006

Caminhadas

"Determinadas coisas significam determinadas coisas". Uma frase aparentemente pleonástica, eventualmente circunloquiar, mas com muito que se lhe diga...
Qualquer coisa tem uma função, mesmo que seja inútil. Essa função é habitualmente do conhecimento geral, apesar de algumas mentes iluminadas descortinarem nas coisas mais banais funções alternativas, à primeira vista eventualmente ridículas, condenadas a permanecer no quase anonimato. Contudo, muito mais interessante é debruçarmo-nos sobre o simbolismo dessas coisas. Aqui, muito pouca coisa é determinada, ou pelo menos muito pouca coisa é fechada. Um pedaço de casca de árvore é aparentemente inútil, mas é para mim uma recordação de infância, um suspiro alegre, um saudosismo profundo. A função, dirão alguns, é recordar. A finalidade, digo eu, é carregar baterias. Quando revivo esta recordação, crio uma cadeia de valor: através da recordação, passo da casca de árvore à obtenção de energia, energia essa contida na casca de árvore, que activada pela minha recordação, se transfere para mim, passa ao estado gasoso, é expelida pela minha boca e nariz, por acção dos meus pulmões, sob a forma de suspiro e se espalha por aí. No universo nada se perde, tudo se transforma.

No fundo tudo o que fiz foi caminhar. Desloquei-me de um ponto A para um ponto B e nesse sentido caminhei. Não me desloquei fisicamente, embora tenha causado deslocções ao nível do físico, mas simbolicamente caminhei.

Caminhar é decerto útil e tem para mim várias finalidades. Caminhei recentemente da Avenida de Roma atá à Amadora. No passado tinha já caminhado da Sé de Lisboa até à Amadora, do Campus de Campolide até à Amadora. A utilidade esteve lá, as finalidades também, a cadeia de valor imensa. Espero caminhar mais no futuro, cada vez com mais energia...
A vós que como eu caminhais por uma metrópole de pensamentos, deixo uma sugestão: não se preocupem para onde vão; pensem antes por onde que chegam lá na mesma.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Os três da vida airada

Começa o Verão
sem grandes expectativas,
estando presente a recordação
de experiências vividas.
Inesperadamente, algo muda
toda a conjuntura;
uma airada vida
é o que o futuro augura!
Conversas seja onde for,
almoços em casa ou na rua,
teorias sobre a cor
(cada um de nós tem a sua).
Neves e trovões
são constantes neste Verão.
Medos, ideias, pensamentos, recordações,
problemas respeitantes inclusivé ao coração
E quando Setembro chegar
tudo vai ser esquisito,
mas a recordação vai ficar
de um Verão bem bonito...

quarta-feira, agosto 16, 2006

O nascer de Albatroz

Subitamente, uma desconhecida agitação perturba o meu calmo descanso. Não conheço esta nova sensação, e apesar de não ser muito desagradável, incomoda-me. Irrompendo na minha vida rotineira, traz-me o azo da preocupação.
À medida que o tempo passa, a perturbação aumenta, não só à minha volta, mas em consequência disso mesmo, também dentro de mim. As paredes ao meu redor parecem quebráveis, e sinto que devo parti-las, ver o que está do outro lado, acabar com a claustrofobia que de repente se apoderou de mim. O desconhecimento da nova sensação é gradualmente esquecido, e substituído pelo medo e pânico que a revolução à minha volta provoca em mim...
Por esta altura, a adrenalina que me corre nas veias despertou todos os meus sentidos, e talvez por isso, quando após muitas tentativas, vejo uma brecha abrir-se na parede e a luz irrompe para dentro do meu mundo, ouço sons que nunca ouvi antes. É quase como se uma porta se tivesse aberto, trazendo para o meu pequeno mundo vestígios de um outro, paralelo ao meu, que lentamente se revela, cada vez mais forte, alargando e dilatando uma passagem, convidando-me para o visitar. Mas eu sinto-me bem no meu mundo, a sua simplicidade dá-me tudo o que necessito, e não tenho qualquer interesse em abandonar o meu lar, trocando-o por outro que desconheço em absoluto.
Impelido pelo instinto, saio lá para fora. Este novo mundo é estranho, enorme, não tem o conforto do meu anterior lar, e a minha primeira reacção é a de piar compulsivamente, pois tenho medo, fome, frio, não percebo nada. Então aparece alguém que me conforta, que me acaricia com o seu bico, que me aquece com a sua penugem, que regurgita para dentro de mim um quente e nutritivo pequeno-almoço e sinto-me bem, confiante no que o futuro me reserva...
A 15 de Agosto de 1986, tornei-me Albatroz.

segunda-feira, agosto 14, 2006

A resposta

A inspiração provém de diferentes sítios. Ninguém sabe bem como ou porquê, mas há palavras, imagens, recordações que nos ficam gravadas na memória para serem despoletadas em alturas específicas, repetidamente, ideias que ecoam na nossa cabeça até que alguém do outro lado responda. O tempo e esforço empregues na obtenção da resposta são tão pouco importantes como ela própria. De que vale ter uma coisa se não a utilizamos, de que vale sumo de maçã, pêra e manga quando só queremos água del cano?
Às vezes a resposta acaba por nunca surgir, mas enquanto a procuramos vamos aprendendo muitas coisas em que nunca tínhamos pensado que acabam por contribuir para a construção de um pensamento mais estruturado e uniforme. Importa ter em mente o objectivo final, mas sem dúvida que o caminho percorrido, ao variar de uns para outros, altera ligeiramente a maneira de interpretar esse resultado final, pelo que talvez não seja necessariamente bem-vinda, aqui, a eficiência.
Ao forçarmos demasiado algo, corremos o risco de quebrar, mas asseguramos que não nos esquecemos do caminho percorrido até então, podendo retomá-lo futuramente.
Chegando a um ponto em que não conseguimoa avançar mais, tudo à nossa volta começa a tremer e a incapacidade para compreender um assunto específico extrapola e de súbito não compreendemos nada, não sabemos quem somos. Nestes momentos vemos de que somos realmente feitos, quão fortes realmente somos. Quando tudo está bem, está tudo bem, mas quando tudo parece mal cabe-nos a nós provar que as aparências iludem.
Agora que temos a nossa resposta podemos utilizá-la de várias formas, nenhuma necessariamente melhor que a outra, embora algumas sejam mais louváveis.
Interessa porquê e como, pode até interessar quando, mas sem dúvida, interessa quem...
"When you try your best but you don't succeed
when you get what you want, but not what you need
when you feel so tired but you can't sleep,
stuck in reverse.

And tears come streaming down your face
when you lose something you can't replace.
When you love someone but it goes to waste
could it be worse?

Lights will guide you home
and ignite your bones
and I will try to fix you..."
Coldplay
"Fix You"

quarta-feira, agosto 02, 2006

Raptos

A sociedade é formada por indivíduos, todos diferentes, ligados por uma necessidade de pertença a grupo, a uma comunidade. Esta traz várias vantagens já que os indivíduos, ao serem divididos por hierarquias e funções, sendo que o desempenhar de cada uma delas é essencial para o todo, permitem que o todo seja mais do que a soma das partes. Isto aplica-se a várias sociedades e não só à humana. Um zapping algo mais demorado pelo Discovery Channel, a Odisseia ou até mesmo os canais generalistas ao fim-de-semana (antes do jornal das 13) dá-vos vários exemplos disto patentes em muitas e diversas espécies do mundo animal. Não entrando por aí, seguiremos um caminho melhor delineado, analisando a sociedade animal racional.
O Homem é um animal social. Todos sentimos necessidade de conviver com os nossos pares, com os nossos semelhantes. Não só pelas mesmas razões que levam à formação dessas sociedades no mundo animal, mas principalmente porque o Homem é um animal social especial - é um animal social racional. A nossa sociedade nasce do contributo não só, mas também, intelectual de cada um dos seus indivíduos. Os seus valores, princípios, padrões comportamentais, vontades e objectivos acumulam-se num aglomerado heterogéneo e dinâmico chamado sociedade. No entanto, para que a vivência em sociedade seja exequível, muitos dos impulsos mais primitivos e bruscos dos indivíduos têm de cair. Não porque desapareçam, mas porque caem para um local mais profundo do nosso ser, permanecendo lá, atolhados debaixo de condutas e regras de boa educação que todos seguimos, uns mais, outros menos. Os animais irracionais agem de forma semelhante, mas os seus condicionalismos são mais fracos e têm origens não no raciocínio, mas no instinto e na avaliação que cada animal faz das suas capacidades e competências, em relação aos outros.
Enquanto andamos por cá, habitamos no meio de toda esta mescla social, tentanto usar o raciocínio para moldar as nossas acções e as emoções para justificar o processo de raciocinar, até que às vezes, somos raptados.
Levados para longe de tudo isto - para uma ilha deserta, para uma viagem de carro pelo deserto do Arizona, para um inter rail, para uma cadeira. Esses raptos permitem-nos sair momentaneamente da sociedade e criar tribos: pequenos grupos de pessoas com uma ideia que une todos, que é interpretada de diferente forma por todos, sem objectivos concretos. Nesta tribo-societal criam-se ligações, recordações, imagens, descobre-se e troca-se informação e depois acaba-se a tribo no sentido físico, perdurando em cada um dos membros da tribo algo que não os muda, mas que os faz evoluir, como se uma espécie de energia residual ficasse guardada algures para às vezes ser reutilizada.
Reintegrados na sociedade, não temos de todo uma visão mais clara dela, mas temos uma visão mais clara de nós, porque ouvimos coisas que não esperávamos e ouvimos coisas que já sabíamos explicadas de uma forma diferente.
Obrigado minha tribo, por me raptarem.