quinta-feira, março 23, 2006

Não cardinal, apenas ordinal...

Hoje alguém me alertou para a diferença entre paixão e amor. Utiliza-se correntemente a palavra amor para classificar algo que é muito forte, uma sensação poderosa, tipo super moca. No entanto, o amor não será bem isso, embora eu ache que esteja relacionado. Ainda ontem, enquanto caminhava para casa, numa das minhas habituais fantasias, vi alguém que disse uma coisa que me bateu tão forte, que fiquei nervoso, a pulsação acelerou, as palmas da mão ficaram suadas, a respiração ofegante, por uns momentos não consegui dizer nada. Foi uma coisa tão forte do ponto de vista psicológico, que despoletou emoções, que se manifestaram fisicamente. Ora aí está o maior cagaço que a natureza nos pode proporcionar - mais saudável que a droga, mais barato que o bungee-jumping e com muito mais adrenalina. O que é que isso tem a ver com amor? Encontrar alguém que captura a nossa essência em poucas palavras mete medo, não um medo de pavor, mas um medo de inquietude, um medo de quem chegou ao final da demanda eterna pelo significado da vida, do amor.
A vida é para se viver. Às vezes complicamo-la e é por isso que tem piada. Quando encontramos alguém por quem nos apaixonamos, mas que depois de amenizada a paixão continuamos apanhadinhos, temos aí o nosso amor. Nessa altura queremos fazer essa pessoa feliz, queremos fazê-la sentir o mesmo que nós, queremos gritar para dentro dela tudo o que não conseguimos verbalizar. Por essa pessoa tu sacrificavas-te, poque tu próprio o disseste, custa mais o sofrimento garantido do que o desconhecido, e tu preferirias sacrificar-te por ela do que ficar cá sem ela. Por muito que vos possa custar, eu vejo egoísmo nisto, tal como vejo em não nos sacrificarmos. Quem quiser desenvolver o assunto tem aqui um blog à sua disposição.
Continuando no mesmo tema, mas com uma abordagem diferente, sexo e "amor são saudáveis de certeza, medo da solidão às vezes engana. Estar sozinho é às vezes mau, mas necessário. Ubi homo, ibi societas - concordo. Usando um pouco de latim macarrónico ubi homo, ibi pensamentus e quando pensamos, estamos sozinhos. Quando pensamos, temos muitas coisas connosco, mas estamos sozinhos, e sem essa dose de solidão ninguém se safa. Quando te entregas ao medo e estás com alguém para não estar sem ninguém, não vejo onde está o amor, nem sequer a saúde.
Encontrar alguém que me complete parece-me uma boa ideia, e já agora que me complete com os seus defeitos também. Afinal de que servem as minhas qualidades senão para conter os defeitos dela, e as dela para conter os meus?
Quando for velhote serei sapiente! Consigo ver a piada no "Só sei que nada sei", mas também vejo a piada no "Ver para crer" ou melhor ainda, no "Sentir para crer". A visão é um sentido, e são eles que me transmitem sensações. No entanto, um cego pode não ver, mas sente, e mesmo não vendo, caminha nas ruas como qualquer um. Porquê? Porque sabe como fazê-lo.
Mensurar sentimentos é à primeira vista difícil, mas se calhar até não. Se pensares microeconomicamente, é como as preferências: não interessa o valor de cada curva de utilidade, interessa a ordem. Os sentimentos não têm aplicação literária perfeita, por isso não sei quanto valem, mas se uma imagem vale por 1000 palavras, um sentimento vale de certeza mais. Quanto não sei, mas isto não é cardinal, é apenas ordinal.

E mais uma vez o Amor...

Talvez estivessem à espera de um comentário meu (ou talvez não..) mas eu prefiro deixar isso para quem se sabe exprimir...

"Amor é um fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem-querer;
É um andar solitário entre a gente;
É um nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É um querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si mesmo é o Amor?"

Luís de Camões

quarta-feira, março 22, 2006

Benvinda Professora!!!

Queríamos daqui saudar o regresso da nossa saudosa assistente de Macroeconomia LG, que foi fazer pela vidinha e se ralou para nós durante duas (longuíssimas) semanas.
Para já teve um bom regresso, pois faltou logo à primeira aula, mas apostamos que agora regressa em força e nos vai premiar com o dobro da matéria no mesmo período de tempo, que é para nós ainda percebermos menos! E vai ser tão bom ouvi-la mandar-nos calar e a chamar-nos pestes...

Comment à séria

Prometido é devido. Escolheste o tópico. Cá vai o comment. Vou racionalizar sobre uma palavra: amor. É o que toda a gente faz quando a diz: racionaliza. Será que a pessoa sabe o que sente ou pensa que o sabe? Como poderemos dizer que não é saudável falar-se do desconhecido? É tabu porque traz receio e medo, é? Para ser franco tou ligeiramente com frio mas acho que não é bem medo. Mas também, o que é o medo?
Apartes aparte, amor é uma palavra que tem vários sentidos mas nenhum sentido. Uma pessoa pode dizer que ama hamburgueres duplos com queijo, amigos e amantes. Não o diz da mesma forma mas usa a mesma palavra. E essa palavra nada significa. O sentimento indescritivel é que existe e esse é único de pessoa para pessoa, de caso para caso. Falaste de 2 coisas diferentes: amigos e amantes; mas usaste a mesma palavra. Pouco interessa.
Falemos da amizade. Um dia perguntaram-me se eu era capaz de me sacrificar por um amigo. Não respondi e aparentemente consegui passar despercebido. Posso agora responder uma vez que já tenho o contexto. Não. Entre insultos mentais e tentativas de compreensão, este post/comment podia acabar aqui. Mas eu não gosto dessas merdas por isso vou-me explicar. Quantas pessoas é que conheces que já tenham perdido amigos? Umas tantas. Quantas pessoas conheces que já tenham morrido? Acho que ainda não falamos com os mortos... Onde viste mais dor? No morto ou em quem perde o amigo? O que achas que custa mais? O desconhecido ou o sofrimento garantido? Eu acho que é o sofrimento. Sendo assim, que raio de amigo é que impõe essa dor a quem estima? Da mesma forma, não esperaria nem gostaria que fizessem isso por mim. A questão está em saber se haveria uma hipótese, mesmo que vã, de ambos sobreviverem. Isso depende da percepção de cada um. A que ponto somos egoístas?
Falemos daquilo que faz com que as pessoas corem e se riam estupidamente e etc. Não considero o sentimento igual ao da amizade mas, como tu próprio disseste, há vários tipos de amor. Nem sequer gosto de considerar essa palavra porque está muito batida. Francamente acho que cada um deveria encontrar a palavra que acredita que se adequa mais ao que pensa que sente. Na minha opinião, os casais existem devido a 4 razões: sexo, interesses mesquinhos, medo da solidão e “amor”. Somente as duas últimas são “saudáveis”. E agora chego à minha dúvida: não estaremos a falar da mesma coisa? Será que não existe o amor para se evitar a solidão? Na Utopia do sonho gosto de acreditar que não. No entanto, não sei dizer porquê, simplesmente sinto (ou penso que sinto) que nem todos somos assim tão egoístas. Mas a verdade é que há demasiados casais, tendo em conta o milagre que é encontrar o ser perfeito que nos completa... Quando digo perfeito incluo todos os seus defeitos pois acho que é mesmo isso que torna uma pessoa perfeita. Mas acredito que nem toda a experiência do mundo ajuda a perceber tudo isto. Quando fores velhote saberás tanto quanto sabes hoje: nada.
Esta minha opinião está expressa por palavras, por isso não tem qualquer sentido. É somente uma tentativa vã de comunicação e não de transmissão de sentimentos. Se uma imagem vale por 1000 palavras, por quanto valerá um sentimento?

segunda-feira, março 20, 2006

Amor

Apraz-me hoje falar-vos sobre o amor. Afinal o que é isso? Será que alguém sabe? Com certeza que sim. Será que eu sei? Tenho umas luzes. Será que vos vou conseguir explicar? Isso agora...
Dada a magnitude do tema, começo por vos deixar algumas opiniões de colegas tão ou mais credenciados que eu para falar de amor. Usei apenas as partes que achei importantes mas deixo-vos os links para os textos originais para se vos apetecer codralhar.
"O amor é uma forma de guerra. Joguinhos e estratégias, não revelar tudo para manter uma aura de mistério à nossa volta, "fazer-se difícil", impor respeito..." by _ArchAngel_ in http://patuscadadeamigos.blogspot.com/2006/03/o-amor.html
"... enquanto que o amor, mesmo que tu nunca ouvisses falar dele, um dia, ele "batia-te a porta", um dia irias ter um sentimento que nunca ouviste falar mas que existe... escusado será dizer que a mesma regra se aplica em relação ao ódio. Agora, em relação ás origens, imagina que te perguntam: "Porque amas aquela pessoa?" e tu começas a dar uma lista infindável de atributos fisicos e psicológicos da pessoa que amas, ora, é exactamente daí que vem o amor, dessa lista, dessa quantidade de coisas que te atrai imenso em relação a essa pessoa, tudo isso, todas essas coisas que vocês gostam um no outro faz com vocês se amem... é daí que ele vem... Agora, propósitos. Porque é que o amor existe? Bem... olha... não sei... se calhar porque o mundo seria um caos sem ele... ou então, em termos biblicos, o homem foi feito para a mulher e a mulher foi feita para o homem não é assim? Então secalhar era bom que existisse uma coisa que os unisse.... sei la... por exemplo... o amor não?!" by mr.nobody in http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13923107&postID=114193777891100303 - comment number 10
"essa questão do amor não é bem assim (amor da mente versus amor do coração) mas ralmente o tópico não é para aqui chamado. Estava só a dar um exemplo... não sabes o porquê do amor mas acreditas. Não sei o porquê de Deus, mas acredito. Afinal qual é o problema?... os animais andam unidos e, segundo estudos científicos, não se pode considerar que sintam amor: só cio. Porque somos nós diferentes?" by hcg in http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13923107&postID=114193777891100303 - comment number 11
O que é afinal esse tal de Amor? Ao longo dos tempos muitos homens, alguns bem mais sabedores do que eu se debruçaram sobre o tema. Alguns sentiam-se tão afastados da verdadeira compreensão do conceito que decidiram dizer que a sua origem é divina, atribuindo a sua génese a Cupidos, Afrodites e outros que tais que tinham o dom de o fazer despontar em qualquer um. Outros diziam que é "...fogo que arde sem se ver..." uns matam-se por ele, outros matam por ele, outros vivem sem ele, outros blá blá blá...
Eu não sei. Nunca o senti, pelo menos não aquele dos filmes, aquele que parece que é à primeira vista, que nunca acaba, que é tão forte que tolda o raciocínio (quem quiser informe-se sobre inteligência emocional que sempre aprendem qualquer coisinha), enfim... Esse não sei, mas posso falar-vos de outros. Amo o meu pai, a minha mãe, o meu irmão, os meus sobrinhos, a Sofia, a Ruiva, a Maria, o meu gato... no outro dia até me apercebi que amo o Jota (quem quiser debater este último tópico comigo em privado está à vontade para me abordar nesse sentido; terei todo o prazer do mundo em esbofetear-vos se se puserem com parvoíces sobre homossexualidade - há alturas para ser parvo e outras para não ser e não não tenho alfinetes, por isso não, não me pico.). A questão é que há muitos amores, assim como há muitos tipos de amor. A minha mãe quis casar-se com o meu pai pela igreja após 27 anos de casamento pelo civil. Eu tentei demovê-la, o meu irmão também, até mesmo o meu pai - foi tudo escusado, casou na mesma. Quem conhecer o meu pai sabe que isso só pode ser amor... (sorry daddy, I love you very much).
Quanto às origens, em última análise, e abstraindo-me de toda e qualquer lamechice, posso dizer que o amor existe porque as pessoas são egoístas. Passo a explicar: quem me conhece talvez já me tenha ouvido falar sobre a famigerada teoria cujo nome desconheço, que diz que nenhuma acção humana é desprovida de egoísmo. Isto significa simplesmente que não há altruísmo, que tudo o que fazemos é devido ao nosso próprio interesse. Mesmo aquelas vezes em que fazemos algo por alguém sem recompensa imediata (aquele dia em que perderam uma hora de baile de finalistas porque ela estava tristinha, quando se baldaram à aula não sei de quê para procurar a gata dele) quando abraçaram o vosso amigo/a e o/a deixaram chorar no vosso colo, tudo isso, foi feito com a esperança não tão vã quanto isso, que um dia farão o mesmo por vós.
Será que isto faz sentido? Talvez. Será que acredito nisto com todas as forças do meu ser? Nem por isso, mas gosto bué de falar desta teoria (pareço bueda culto).
Nunca disse a ninguém "Amo-te!", mas espero dizer um dia. Nunca disse, porque nunca o senti, pelo menos não com intensidade suficiente para proferir a palavra. Nunca o disse porque nunca fui embebido dessa emoção que dizem que cura todos os males, que o dinheiro não pode comprar, que é a razão de tudo e todos, cuja fronteira com o ódio é ténue...
Quinhentos e trinta e um mil, quatrocentos e setenta e oito clichés depois, posso dizer-vos que um dia, algo longíquo acho eu, estarei habilitado para falar disto, e talvez o faça. Até lá, digo-vos o mesmo que disse ao _ArchAngel_, querem saber o que é o amor? Um sr. tinha um cão que estava muito doente. Quando foi com ele ao veterinário o doutor disse-lhe que o cão tinha lombrigas no intestino que o estavam a comer de dentro para fora e que ele iria certamente morrer. O sr. chegou a casa e meteu mãos à obra, que é como quem diz meteu a mão pelo cu do bicho acima e começou a sacar as lombrigas cá para fora. Demorou a noite inteira, mas acabou por conseguir tirá-las todas. O cão acabou por viver mais que o dono. Isso é amor.

A melhor cambalhota de Paço de Arcos!!!



Manchete do 24 horas : "A melhor cambalhota de Paço de Arcos vai entrar no Circo das Celebridades". Os repórteres JP e Tigas foram monologar esta estrela da arte circense (na foto, ao lado de um dos repórteres, a meio do monólogo), do qual destacamos o seguinte trecho (o monólogo integral, com cerca de 457 horas, está disponível para download no site oficial do jornal) :
" - Eu sempre quis voltar a nadar João! Sabes João, eu dantes, quando era pequena, Tiago, nadava muito bem João. Ai Tiago, era tão bom que eu fosse nadar convosco! E depois nadávamos juntos João! 'Tou com imensas saudades de nadar Tiago! Eu nadava, João, numa piscina de 25 metros... ai Tiago, e vocês fazem a cambalhota João? Sabes dar a cambalhota Tiago? Ai não, eu ensino-te Tiago: Eu sou a melhor cambalhota de Paço de Arcos! A Bruna também não era má, mas eu era a melhor! Oh João, é só ires lá a casa e vês logo as medalhas das competições a que eu ia João! Tiago! Vais ver João, estás aí a dizer que eu não nado nada (os reporteres estavam em silêncio há cerca de 239 horas) mas eu, Tiago, vou convosco e vocês vão ver como eu nado bem! Ai João, estou tão indecisa: vais votar em quem João? Ai esquece isso já foi! Ai João, pára, eu nadava tão bem! Mas há já 8 anos que eu não nado Tiago, mas era muito boa nadadora João. Isso não interessa João porque eu estou tão indecisa Tiago! Ai João, ajuda-me Tiago: vou convosco Tiago ou não vou convosco João? É que por um euro é muita fixe, eu ainda por cima João tenho imenso tempo e aproveitava para ir nadar João! Mas João, o Estádio Universitário é tão longe João! Ai João, não sei João! Mas era muita fixe, ir convosco..."

P.S.- A entrevista acabou por sobre-aquecimento do material de gravação de audio...

quinta-feira, março 16, 2006

Podes fugir mas não te podes esconder


É verdade....já passou algum tempo, mas julgavam que me esquecia deste dia? A foto até nem ficou mal, menino escuteiro! A quanto são as compotas? Va lá! Faz lá um descontozito.... Eu prometo não tirar-te os calções....

O código...

está feito! ;P

domingo, março 12, 2006

sexta-feira, março 10, 2006

Avé professores doutores!

Ontem soube oficialmente que este blog era lido por entidades superiores às quais damos o nome de professores, além de que os próprios, gostando do que aqui se escreve, publicitam-no junto de outras entidades superiores cujo entendimento está fora do meu alcance intelectual. Por isso queria apenas deixar-lhe um reles textinho da minha autoria a comemorar a efeméride, que certamente as eruditas mentes acharão ridículo ao pé do brilhantismo das vossas mentes, que escrevem teses e artigos para os jornais como eu como cereais ao pequeno-almoço:

- Bom dia caro professor!
- Bom dia bronco!
- Então está bonzinho?
- Estou, o que tu tens a ver com isso?
- Ah... nada professor! Era só preocupação, deixe lá, foi uma pergunta parva!
- Pois foi! Nunca mais me voltes a perguntar se eu estou bonzinho ouviste?
- 'Tá bem caro professor, o professor manda!
- Pois mando... aliás, o que é que ainda estás a fazer a olhar para a minha magnificência? Ousas olhar-me nos olhos?
- Oh caro professor! Peço perdão pela minha conduta! Nunca mais acontecerá, juro! Alguma vez ousaria eu comparar-me a vós, olhando-o nos olhos!
- Bem, por hoje passa! Mas mais algum deslize desses e a minha enorme bondade terá de deixar de ser benevolente para contigo reles aluno!
- Oh caro professor! Deixai-me beijar-vos a sola do sapato em reconhecimento pela vossa imensa misericórdia!
- IMUNDO! Como te atreves a julgar que os teus lábios merecem beijar algo tão refinado e de bom gosto como os sapatos que eu, teu brilhante professor, calço? Como pudeste pôr sequer a hipótese que me puderes tocar? Estou enjoado só de pensar em tal coisa! Por tua culpa, vou ter que escrever mais 47 teses a demonstrar a minha superioridade intelectual para ver se retiro da mente essa imagem nojenta desses teus lábios tocarem qualquer coisa que possa estar a menos de 5 metros de mim!
- Oh excelência, oh misericordioso, oh… tende pena deste inútil que o mundo teve a infelicidade de gerar, este seu insignificante servo que apenas ousa poder chegar a casa e estudar o que o professor ensina, apenas quero ter mais um minuto no meu dia para gastá-lo a beber as suas palavras e poder inspirar a minha vida de acordo com os seus ditames!... (and so on, and so on!)

(Isto é que era! Agora está tudo perdido! Dantes deviam-lhes respeito e obediência, mas agora até já caricaturam os professores nos seus blogs com textos que profanam a imensidão de espírito dos Doutores! Onde é que isto vai parar meu Deus!)

Obrigado por perderem o vosso tempo connosco e voltem sempre para ler mais uma ou duas imbecilidades no intervalo de uma qualquer tese sobre o impacto da culta da alfarroba nas ilhas Pipi durante o Jurássico ou assim qualquer coisa do género!

E por fim...


...chegando o carnaval ao fim (há já alguns dias na verdade..) deixo aqui a foto do meu carnaval...
também aproveito para explicar o porquê...

"era uma vez eu que gostava do Noddy e nem gostava por aí além do carnaval mas um ano o meu sobrinho fez anos no dia de carnaval fez-se uma festa com mascaras e eu apeteceu-me mascarar-me assim pronto."

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...

Descubro coisas novas com o passar do tempo, muitas delas surpreendentes. Descubro pessoas e as suas ideias, os seus motes, as suas pancas. Não conheço necessariamente pessoas novas, mas começo a conhecer algumas delas, apercebo-me que afinal não conheço tão bem como pensava algumas, e ainda que elas também não me conhecem tão bem como eu pensava.
Dizem que precisamos de conversar, e apesar de ser verdade, a maneira como o dizem faz-me crer que os seus motivos não são iguais aos meus. Surpreendem-se com as minhas atitudes, as que me começam a conhecer, pela positiva; outras, nem tanto.
Tento falar com algumas delas, mas aparentemente o momento não é oportuno. Fica então a conversa em suspenso, como aquelas nuvens que quando olho pela janela me fazem pensar "Epah... se calhar vai chover. Não me apetece levar o chapéu-de-chuva... Que se lixe, se chover molho-me! A água nunca fez mal a ninguém!", (normalmente acabo por meter o chapéu na mala).
Formulo teorias, imagino programas futuros, revejo os passados. Tudo me faz lembrar daquelas palavras "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.". Se tivesse a arte de Camões, não só me explicava bem, como ainda rimava; como ainda não descobri como aplicar a minha zarolhice à escrita, sai algo bem ao meu estilo e gosto "explícito mas cheio de significados escondidos" como um dia alguém disse [psststststtsts (para quem não chegar lá, é o sibilar de uma cobrinha)].
O cheesecake sai quase perfeito (uns dizem que é paixão), e apercebo-me que o meu recente estado de calma-melancólico-depressiva-introspectiva-altamente-litarário-producente (há quem diga que é TPM) se deve à repartição de energia com mais pessoas, mais diferentes. Tendo mais recipientes pelos quais reparti-la, em vez de acontecer o lógico, que era cada um deles conter menos, o que acontece é que ela muda de forma, de cor, de código, o que faz espécie a alguns...
Faz parte da natureza humana temer o que não se conhece, mas já dizia Camões: "Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades.".

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Chegou o carnaval

Chegou o carnaval e com ele as piadas, risos e partidas de milhões de crianças espalhadas por todo o mundo. Não tivéssemos nós em idade de perceber que brincadeiras com balões de água, fitinhas, foguetes, entre outros, já nos ultrapassam, acabamos sempre por alinhar em jogos pela felicidade contagiante com que estes fedelhos nos atingem, afinal, conseguimos sempre arranjar uma desculpa, por mais pequena que seja, para nos juntarmos às palhaçadas dos mais novos, quanto mais não seja para nos tentarmos aproximar das suas educadoras que, desesperadas de tanto reboliço, acabam por aceitar a ajuda de um qualquer estranho que consiga entreter as criancinhas. No fundo sabemos que todas acabam por se cansar e que o tão esperado fim de dia se aproxima, depressa tudo voltará ao normal, para a mesma rotina de sempre.

Já não há heróis? - Homem-Aranha



Homem-Aranha - esqueçam a gosma que ele deitava a torto e a direito sobre as ruas de Nova Yorque, certamente fruto de uma aventura de sua mãe, equilibrista no Circo Chen, com o homem que vendia algodão doce nos intervalos do espectáculo! Temos de ir ao passado deste super-herói para encontrar as semelhanças com o assistente que agora tenta esquecer o seu passado ensinando os alunos a usarem a Normal a torto e a direito. Pensem… quem vosso conhecido é igual ao Peter Parker? Ar calmo e jovial, tímido mas trabalhador, este super-herói lá vai tentando acalmar a revolta dos alunos contra a ira de Cyclops, para a qual o Jacinto contribuiu ao chegar atrasado ao último exame da disciplina. Na verdade, ele foi um dos super-heróis que mais vidas salvou no mundo. Topei logo que era ele quando teve um pequeno deslize, imperceptível a quem realmente tentava resolver o problema dos hambúrgueres cujo peso seguia uma Normal, mas logo topado por mim, que há muito tinha desistido de tal façanha. Pude então captar os sinais de uma alma apavorada por não poder socorrer a mais uma aflição, certamente vinda da Reitoria, onde o reitor falhava pela 56384ª vez a conjugação do verbo to be: a meio da resolução do dito exercício, Peter Parker pára, volta-se para a janela, vai até ela, abre-a, chega a debruçar-se, mas depois volta para trás percebendo o seu erro. Alguns alunos, assustados com a previsão de um suicídio (se bem que a queda de meio metro do rés do chão quanto muito levaria algumas das orquídeas do canteiro desta para melhor), olharam petrificados o desenrolar da cena. Algo que Peter Parker também nunca conseguiu largar foi aquele jeito que ganhou quando se empoleirava na antena do Chrysler Building para avistar os Maus, reproduzindo-o agora elevando a perna direita para cima da cadeira, e pondo a mão em cima do joelho, quando o seu pensamento está mais preocupado com a função potência que em disfarçar pequenos tiques do tempo de super-herói. Se por um bocado estivermos atentos ao que diz, percebemos logo que aquela máscara horrorosa lhe causou danos colaterais para o resto da vida: o seu falar cantado e melodioso em “se tivermos quarto boolas, e uuma está num saaco e as outraas nouutro…” faz-nos logo lembrar a respiração ofegante do herói nas telas de cinema, recebendo o beijo da amada enquanto estava pendurado na corda da roupa da vizinha! Bons tempos…

Já não há heróis? - Sangoku



Sangoku – a condição que o Tartaruga Genial impôs para ensinar na melhor faculdade de economia do mundo foi que o seu jovem pupilo o acompanhasse. O reitor achou que é pior aturar um super-herói aborrecido do que dois satisfeitos, além de que a experiência de abrigar as quatro tartarugas ninja não foi propriamente difícil, tirando o aumento de propinas para pagar a conta à pizzaria do El Corte Inglês, por isso aceitou. E pronto, assim como quem não quer a coisa tínhamos uma das maiores lendas de desenhos animados à nossa frente a ensinar-nos as maravilhas das organizações! Para se disfarçar cortou o pujante cabelo, estando agora disfarçado com uma careca de se lhe tirar o chapéu (perceberam a piada? Careca…chapéu… tirar o chapéu à careca!!! Que trocadilho fantástico!). Durante as aulas tem o péssimo costume de falar para o chão e para as paredes, um hábito certamente ganho na incessante busca das bolas de cristal que o libertariam do jugo do malvado Tartaruga, fazendo com que não se perceba metade do que diz. Como já não faz “ká-mê-á-mês” há muito tempo gasta a sua energia a andar de um lado para o outro como se tivesse bicho carpinteiro nos pés, o que sempre dá alguma animação à cena pois parece que estamos a assistir a um jogo de ténis em Roland Garros. Devido às baixas médicas dos alunos a queixarem-se de tonturas e torcicolos, o Tartaruga já o convidou umas quatro vezes para dar aulas em vez dele, já que o palco do A14 é maior e por isso a cadência seria mais lenta, mas aí o Sangoku empoleirava-se no canto do palco como querendo atirar-se dali, e embora o metro que o palco dista do chão não causasse nenhum mal de maior, era sempre angustiante para nós vê-lo naquela situação. O que talvez demonstra o seu maior génio é a sua capacidade infinita de decorar todos os nomes de toda a gente e depois, à imagem do seu mestre, conseguir envergonhar qualquer um que chegue um pouco mais atrasado à sua aula. Tem ainda o requinte de pedir a alguns que participem nas suas aulas e depois premeia-os com palavras doces como “abéculas”, “broncos” e “flores”, o que é sempre reconfortante de ouvir, tal como a história de que os trabalhos em que gastámos horas de sono vão ajudar a pegar fogo na lareira do seu refúgio alentejano, sendo que os trabalhos mais pequenos ajudam a pegar fogo aos maiores que, como têm mais palha, dão brasas para umas longas horas. Como é do conhecimento geral, nada entusiasma mais um aluno do que a visão do seu trabalho a arder em lume brando, enquanto a gordura de um bom chouriço alentejano a assar por cima vai alimentado o fogo. Mal acaba um, “HUPS!!!, lá vai outro para queimar”! Que reconfortante…

Já não há heróis? - Jesus



Jesus – Não sei até que ponto é que o Messias pode ser considerado um super-herói, mas quem multiplica peixe e pão como quem calça umas peúgas, além de curar uns coitadinhos, certamente não prima pela normalidade. Acontece que Jesus, depois de andar a dizer a toda a gente que afinal a sua morte tinha sido adiada para outras núpcias, não foi nada juntar-se ao Pai como dizem as sagradas escrituras. Essa é de longe a história mais bem guardada pelo Vaticano mas que eu vou desvendar em primeira mão e ganhar mais guita que o tipo do “Código DaVinci”, o suficiente para deixar de estudar e dedicar-me exclusivamente a escrever post’s estúpidos até à eternidade. Jesus Cristo é assistente da NOVA!!! Há séculos que o FBI, a CIA, o KGB, o SIS, a PJ, o SLB, o IRS e o STOP, entre outros, se juntaram para decidir como esconder Jesus, alvo do seu mediatismo. Como a protecção dos outros super-heróis estava a correr bem, mandaram-no para a NOVA, onde lá acharam que teria jeito para ensinar os alunos a socorrer a Inês que é muito gulosa por gelados e brigadeiros, ou o Nelo que só vive de lixo e de cd’s, tudo estudos de casos recorrentes na sociedade e interessantíssimos do ponto de vista microeconómico. Mas talvez Jesus tenha sido o super-herói mais difícil de disfarçar. Primeiro teimou em não cortar a barba. Depois ensina magia nas aulas, como fazer de um simples 2 um bonito cisne. Isto sempre com um ar cool, de quem não tem muito a perder, o que conhecendo a história dele até é compreensível. A todos os que o aconselharam a mudar para não dar tanto nas vistas ele ameaçava dizendo que se ia queixar ao pai dele, o que normalmente não costuma surtir efeito em ninguém, mas sendo o pai de Jesus quem é, todos pensaram duas vezes e perceberam que o custo de oportunidade era alto demais para insistirem com ele. A ligação entre Jesus e a Super-Tia nunca foi bem esclarecida, mas parece-me que volta e meia ele trazia-lhe uns saquinhos de chá dourado da sua terra natal, Belém, comprados numa lojeca ali ao lado do Mosteiro dos Jerónimos como quem vai para o estádio do Belenenses, e ela como paga lá lhe ensinava a repartir o pão sem se encher de farinha e a beber vinho sem ficar com pingos na barba, porque ao que parece não é nada bem e depois a Maria Madalena tinha um trabalhão a esfregar aquilo à mão, já que as nódoas de vinho tinto são uma chatice para tirar. A Tia, a troco de umas aulas extra de como chumbar 487 alunos só com 300 inscritos, proibiu-o de nos ensinar a macumba que transforma o caderno de exercícios em necessaires da Cartier, e por isso ficámos todos mais um semestre a ver se aprendíamos a resolver o problema de obesidade mórbida da Inês ou do mau-cheiro do Nelo, visto que a microeconomia em nada pode ajudar o Jacinto.

Já não há heróis? - Batman



Batman – Só nos dava uma hora e meia semanal, mas que com os seus super poderes fazia parecer que eram nove e meia, tal era a nossa ânsia para mandar o Código Civil às urtigas e correr para a aula da Tia! Prometeu dar uma ajudinha ao Super-Homem e, diga-se de passagem, se não fosse ele ainda estaríamos por esta altura a tentar perceber o que entende o Super-Homem por coercibilidade, dada a sua mania de complicar o que os deuses queriam que fosse simples. Entrava na sala de aula e cumprimentava-nos com a sua voz de quem canta num coro gregoriano aos domingos de manhã no mosteiro de Alcobaça, aproveitando toda a experiência ganha na sua gruta para chamar o criado, enquanto olhava para as suas mil televisões: “BooOOooOOoom DiIIIiiIiiAaA”. E depois seguiam-se cerca de oito horas de divagação, entre as quais alguns de nós aproveitavam para fazer composições de espanhol, limpar o estojo, gritar cerca de 34 vezes “Ai que SECA! Alguém tem pastilhas?”, contar anedotas via SMS, etc. Impávido e sereno, Batman continuava a sua exposição do fascínio do Direito subjectivo, do Francisco que devia 50 escudos à Maria (como se hoje alguém devesse 50 escudos a alguém!!! Que ridículo: nem é por já não haver escudos, é porque no país mais endividado da Europa, dever 0,25 cêntimos a alguém é uma boa razão para se ser preso preventivamente por possíveis ofensas aos símbolos nacionais, enquanto se estuda o processo!), do Jacinto que chegava atrasado ao Exame de Estatística, já não podendo calcular a probabilidade de saírem 56,7 bolas vermelhas e duas cor-de-burro-quando-foge, ocorrendo num acto jurídico ilícito. Nunca vimos o seu Batmobile, mas suspeito que, ao tocar-se a 7ª sinfonia em Fá bemol de Beethoven no piano do A14 (por que outra razão eles está lá aquele mastronço?) surge do chão um elevador que o leva para a caverna que escavou durante 789 anos antes de encarnar em assistente. Os seus aposentos estou certo que se situam atrás daquela porta branca entre o segundo e o terceiro piso, que já abri duas vezes mas que o cheiro a cocó de morcego (que se chama guano e é um óptimo fertilizante…) fez-me recuar no meu objectivo. Toda a gente sabe que Bruce Wayne era um erudito nas mais variadas matérias: sabia física, literatura, arte, química, mecânica, culinária, antropologia, sonoplastia, urologia, ballett, entre outras. Desta vez resolveu brindar-nos com o Direito, a mãe de toda a civilização!

Já não há heróis?´- Tartaruga Genial



Tartaruga Genial - talvez o mais acarinhado dos super-heróis pela classe estudantil, tendo recebido inúmeros prémios como o de melhor professor de Gestão, pela sua capacidade ilimitada de aturar velhas chatas e loiros impertinentes a pedir que deixe de dar matéria mas que diga mas é o que afinal sai no exame que isso é que interessa para ter um canudo e não saber as 345,7 teorias de liderança constantes no calhamaço escrito pelo próprio. Tal como nos desenhos animados que o tornaram famoso, este super-herói passeia-se com os eternos óculos aro de tartaruga com os quais leva à loucura congressistas estrangeiras que se cruzam no seu caminho. Tal como com o Sangoku, este super herói tem uma capacidade fantástica de criar uma empatia junto dos alunos, que lhe perdoam depois a inflexibilidade na avaliação, onde não sobe nem uma milésima. Durante o semestre mostrou uma vivacidade fantástica às 8h e uma capacidade de humilhar alunos acima do normal, convidando os alunos que chegavam às 8h01 a sentarem-se na primeira fila e a apresentarem-se ao auditório, género sessão dos Alcoólico Anónimos: "Olá, eu sou o Jacinto e atrasei-me a apanhar o 58". Ao que parece resultou, pois na segunda aula eram visíveis as tendas tipo igloo montadas junto da Reitoria para que os seus ocupantes não chegassem atrasados. Mesmo assim, poucos eram os que não se derretiam com a sua simpatia e exposição pela segunda vez dos 674 casos que já nos tinha apresentado no ano passasdo em Introdução à Empresa, ficando muito admirado quando se apercebia que já os conhecíamos, embora tentássemos não o mostrar. Os seus sábios ensinamentos serão perpetuados por milhares de pequenos gestores, que inspirados nos 4 modelos de Mudança Organizacional, nos 98564 modelos de Liderança, nos 3 modelos de Motivação e outros tantos de Satisfação, entre outros, irão revolucionar o panorama empresarial português, quiçá mundial. Quando isto acontecer, Tartaruga Genial poderá então pedir a reforma, dedicando-se a escrever mais calhamaços enquanto come amendoins. E aí sim, será feliz!

Já não há heróis? - Super-Tia



Super-Tia - esta simpática heroína não é aceite por todos como um verdadeiro ser com super-poderes, mas há quem não imagine a sua vida sem a sua existência. O seu olhar gracioso eternece qualquer um que com ela privasse, e o seu encolher de ombros simultaneamente com um inspirado fechar de olhos era um sinal de que Deus andava por perto. Muito chá passou nos seus exemplos de cabazes a que um qualquer reles ser acrescentava colher de açúcar feito parvo para descobrir que eram bens complementares, quando a Tia sabia perfeitamente que ninguém de bem põe açúcar no chá. Mas enfim, ela estava a leccionar para parolos e não para a high society, tipo o sermão do padre António Viera aos peixes, por isso não fazia mal. Ela sabia que, no fundo, no fundo, o que era preciso era levar a maximização de utilidade àquelas pobres almas para a salvação das suas almas. Nós depois que minimizassemos o custo de sermos tamanhamente burros, o que nem todos conseguiram fazer, estando agora muito contentes por ver aquilo tudo de novo. Mesmo sabendo que o futuro de nós era a perdição na parte teórica, era com uma energia inabalável que a Tia dava as suas aulas. Não foram poucas as vezes em que, depois de um "Olhem para aqui...", ficava a olhar pensativamente para o slide em questão e depois exclamava "Mas isto está tudo errado!". Sendo a Tia quem fazia os slides, a resposta era um invariável encolher de ombros e fechar de olhos, perdoando-la nós naquele mesmo instante, tal era o impacto daquele gesto nas nosssa mentes. Um dos seus maiores deslizes no disfarce era a sua frequência para apontar para o monitor, dizendo "Vejam aqui...", esperando que o seu toque no monitor fosse projectado pelo data-show, como outrora conseguia fazer. Este gesto, quano se apercebia, acabava invariavelmente num "Ai que disparate!" e o mundo voltava a estar em paz. Tinha um fraquinho pela Concorrência Monopolística, pois nela pôde comparar a Zara com as suas roupas de alta costura, seguido de um encantador encolher de ombros. Porém, tal como o Homem Aranha ficava em apuros quando se lhe faltava a gosma para as teias e lá tinha de ir a pé para casa (ou de 58, no caso de ser o Jacinto), a Tia tem um calcanhares de Aquiles: o seu ombro direito. De tanto ter praticado o bem com uma pochette Louis Vitton no ombro que lhe ganhou uma tendinite. Revelou-nos este pequeno segredo quando, a meio de uma conversa reservada, quase se atirou ao chão aos berros de dores, numa visão petrificadora para qualquer um. Mas, tão rápido como começou também acabou, estando alguns de nós ainda a fazer psicanálise para tentar perceber se não terá apenas sido um sonho. Temos pensado no caso e imaginado como terá sido no Conselho de Ministros com os seu querido Pedrocas: "Pois bem, isto na Educação está uma... AAAAAAIIIII!". Pobre Tia! Entretanto, a Tia vai alegremente bebericando chá como se não fosse nada com ela...

Já não há heróis? - Cyclops


Cyclops - mais uma vez as características são evidentes, ok? Usava óculos, ok, e via tudo graças à sua visão raios-x. Eu dou uma ajuda, ok: quem é que detecta, mesmo a milhas de distância, o mais leve mexer de lábios, ok, e ameace logo que esse verdadeiro criminoso o vai ajudar no próximo problema, ok? Há um ano aterrorizou todos com um tal de Jacinto que apanhava o 58 para não chegar atrasado, ok, ao exame, ok, no último semestre teve um perdição por microorganismos e por sacos de café, paixão ganha à pala de tantas pestanas queimadas na senda dos mais difíceis problemas com que pudesse aterrorizar os seus alunos e assim mostrar a sua supremacia intelectual, ok. No fundo, no fundo, é boa pessoa, e a sua postura implacável só serve de refúgio psicológico, ok. Volta e meia fala um idioma, ok, que só ele percebe, certamente para aterrorizar as pobres mentes daqueles que só querem resolver o problema existencial do Jacinto. Mandámos para a CIA uma gravação de uma aula, e os coitados apenas conseguiram detectar palavras como "Qui-Quadrado", "T-Student", "Normalização", incompreensíveis na nossa linguagem. Volta e meia, ok, maravilha-nos com os seus conhecimentos em renda de birlos e de física quântica, pela qual, ok, é possível atirar inocentemente uma moeda a um amigo para, ok, por exemplo ele comprar uma pastilha, e afinal, ela atravessar a mão do amigo, ou então arrancar o gorro da gorda da cozinheira, ok, o que é sempre engraçado de ver, principalmente ser for a gorda da cantina... Enfim, ok?