segunda-feira, janeiro 29, 2007

Queria só esclarecer algo que já há algum tempo anda a ser comentado, inclusivé nalguns orgãos de comunicação social:
Eu é que sou o dono do Montepio!

domingo, janeiro 21, 2007

Dr.House

Senator/patient: "It must be miserable, always assuming the worst in people... You're clever, you're witty, and you are a coward! You're scared of taking chances."
House: "I take chances all the time, it's one of my worst qualities."
Senator: "On people?"
House: "Wanting to believe the best about people doesn't make it true."
Senator: "Being afraid to believe it doesn't make it false."
Dr.House – Role Model

Ultimamente, ando viciado em Dr.House. A personalidade da personagem principal fascina-me!
No episódio que acima refiro, o mesmo senador tentava dissuadir o Dr.Foreman de que nem “todos os políticos mentem”. No diálogo que tiveram reconheci algo que estou sempre a afirmar: ele dizia que, ao conhecer alguém, começava por acreditar com toda a força que essa pessoa era boa. Não que isso não lhe tivesse provocado já alguns desgostos, mas ao menos dava-lhes o benefício da dúvida.
Talvez por ingenuidade, talvez porque isso me tira o peso de ver em toda a gente alguém que me poderá um dia magoar, a verdade é que, quer acreditem ou não, adopto a mesma atitude. Prefiro arriscar e acreditar que não me mentirão, que não me desiludirão, que não me farão mal, a prevenir-me contra isso, não confiando de inteiro em alguém.
É certo que me poupava de muitas desilusões! Mas também acho que as pessoas sentirem-se livres de provarem que merecem a confiança de alguém fá-las muito mais dispostas a entregarem-se também, a confiarem.
Já aconteceu contarem-me as histórias mais parvas e eu acreditei. A mentira é algo com que eu não consigo lidar muito bem, e como, por norma, não minto, penso que os outros também não mo fazem. Quando depois percebo que fui enganado, a desilusão varia proporcionalmente à importância da mentira.
Daí o meu aborrecimento com coisinhas a que ninguém dá importância. É que eu não só fico chateado com a mentira em si, como ainda cobro a desilusão que isso me provocou. E é talvez isso que me dói mais: perceber que não é tão cedo que poderei confiar nessa pessoa.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Conflitos

Ao olhar para alguém podemos "ver" muitas coisas:
sonhos
esperanças
emoções
sentimentos
certezas
interrogações
...

Podemos até ver um reflexo daquilo que nós somos
que nos é dado pela imagem que a pessoa tem de nós.
Às vezes a imagem é boa, outras má,
umas vezes concordamos com ela, outras não.

Quando somos capturados pelo olhar de alguém
sentimos a aceitação que todos procuramos
vivemos os momentos que sonhámos
somos a imagem perfeita de nós próprios.

Por melhor que seja sabermos que fazemos alguém pensar
por melhor que seja criar "pontos de interrogação" nos outros,
melhor é saber que mesmo com dúvidas
a resposta está lá.

Quando tudo o que vemos ao olhar para alguém
é um "?"
é difícil não ficar "!"

domingo, janeiro 07, 2007

2007 ?

Com Alves e Tigas em Milão, Daniela e Tigas num qualquer sítio no mundo no Verão, com Tigas e Rubém em Erasmus num qualquer sítio da Europa lá para Setembro, não tenho dúvidas que será um ano em grande!
Venha 2007!


P.S. - Este blog anda pelas ruas da amargura... nem um feliz Natal aos nosso leitores, nem os desejos de boas entradas! Sinceramente...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Sem lágrimas

Como uma ferida que não vemos
sentimos o sangue que não escorre
choramos o que não temos
sofremos o que vivemos
pensamos no que foi
sonhamos o que podia ter sido

(se tivermos sorte)
uma coisa mantém-se:
as lágrimas não correm
e choramos sem lacrimejar
sofremos sem chorar

No fim levantamo-nos
olhamos ao espelho
e não vemos a tristeza;
ela está lá
mas não a vemos
tal como não choramos
as lágrimas que não correm

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Um brinde...

… à irmã do Bernardo.
… à Sóraia.
… ao Bernardo.
… mais à boa da irmã dele.
… ao barbeiro do empregado.
… ao barbeiro do Alves, que está no desemprego.
… ao docinho que é a irmã do Bernardo.
… às batatinhas.
… ao frango que nunca chegou.
… à irmã do Bernardo, que é mesmo boa.
… à namorada do Viana, que é muito simpática.
… ao micro do Rubém.
… à Rita e à Daniela, que andam a aprender com o Malcata.
… à vinhaça.
… à irmã do Bernardo, que é extremamente bem dotada e bem boa.
… aos matrecos.
… ao Mister.
… à irmã do Bernardo, que é mesmo boa.
… à China, em quem o Sumol não surtiu grande efeito.
… ao Buda, a discoteca mais apertada do país.
… aos preliminares públicos do Viana e da Sóraia.
… à quenga da irmã do Bernardo, que é bem boa.
… às gravatas apertadas e aos fatos desconfortáveis.
… a nada, que também é fixe.
… aos destaques peitorais da boa da irmã do Bernardo.
… à chuva.
… àquele-que-anda-na-rambóia-com-a-gente-à-procura-de-algo-que-nunca-mais-encontra.
… à irmã do Bernardo, que não se cansa de vender o corpo por ele.
… ao bevilo tutto, tutto, tutto com a Rita.
… a quem chorou, sem saber muito bem porquê.
… ao Tigas, que se não estava tocadinho fingiu bem.
… à irmã do Bernardo, que é boa como se não houvesse amanhã.
… ao arroz doce.
… à minha faceta taberneira.
… a nós, que no fundo somos uns bacanos.
… às irmã do Bernardo, que tem uns seios como não há igual no resto do mundo e não se farta de ser BOA.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Escolher II

Todos fazemos escolhas. O problema foi sucintamente exposto no post anterior pelo que não me alargarei sobre o assunto. Prefiro concentrar-me no que vem antes da escolha - o raciocínio. É ele que, em última instância, determina o que faremos - a acção. Deste binómio raciocínio/acção descobrimos se o que fizemos foi "certo" ou "errado", se valeu a pena ou não.
Uns pensam mais, outros menos, mas todos medimos as possíveis consequências que advêm das nossas acções, das nossas escolhas, dos caminhos alternativos que escolhemos.
A questão (para mim) resume-se muitas vezes a tentar perceber quais as fronteiras do aceitável, o limite final até onde podemos ir. Algumas vezes bato contra o limite, mas até agora nunca o ultrapassei irremediavelmente; tive a sorte de me darem o desconto.
Uma pergunta tem ecoado na minha cabeça ultimamente: "O que é pior: fazermos asneira e arrependermo-nos, ou arrependermo-nos de não fazer nada?". Eu voto incondicionalmente na segunda; ideias são bem-vindas.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Escolher

“Pessimista é aquele que, podendo escolher entre dois males, prefere ambos” – Oscar Wilde

Todos nós já ouvimos que a vida é feita de escolhas. E é verdade, a escolha está nas coisas mais elementares que por vezes nem nos apercebemos que estamos a escolher: a roupa de manhã, o que comer ao pequeno-almoço (mesmo que seja sempre a mesma coisa, não deixa de ser escolher comer sempre o mesmo!), ir à gala ou não, etc. E depois há aquelas escolhas que, embora sejam escolhas, na verdade são obrigações: escolher entre fazer ou não o exame que decide se repetimos a cadeira ou passamos, escolher entre fazer ou não os trabalhos de grupo obrigatórios, no fundo são escolhas, mas há alguém que escolha não os fazer? (aposto que milhões de casos e ideias a refutar isto vos estão a passar pela cabeça… vá lá, deixem-se de coisas!)
Afinal, não é preciso esforçarmo-nos muito para perceber que tudo é escolher. Agora, cada escolha tem um custo inerente, e há custos maiores que outros: escolher se vou de calças de ganga ou de calções não terá o mesmo custo que se escolher fazer companhia a um amigo, deixando outro sozinho. Tirando os casos em que somos obrigados a escolher, e aí já nem se trata bem de uma escolha (é o tal exemplo de ir ao exame ou não!), a verdade é que temos de estar preparados para acartar com os custos do que escolhemos. Não podemos criticar alguém que ficou prejudicado com a nossa escolha, afinal prejudicámos alguém!
E atrás de cada escolha há milhares de hipóteses que passam ou não a estar disponíveis. Por isso, ao escolher sair esta noite, mesmo não me apetecendo nada, estou a escolher ir encharcar-me para poder ir ao jantar de anos da Soráia, e depois possivelmente ir à gala, que vai estar cheia. Mas quando escolhemos por um caminho, sabemos que dele há de advir alguma coisa, e é por isso que eu hoje escolho ir à gala. E amanhã escolherei também. Sobre quê não sei, mas escolherei…

quarta-feira, novembro 08, 2006

Físico - especial versus banal

Não é costume, mas hoje sinto dificuldade em passar para palavras o que penso. As coisas não me saem fluídas e de uma forma abstracta, poderemos pensar que é exactamente pela temática que me perturba: as acções. Costuma dizer-se que falam mais alto do que as palavras, e por isso mesmo, penso que não será escrevendo que validarei o meu ponto de vista: primeiro, porque não sei bem qual ele é; segundo, porque desconfio que não é o mais correcto.
Para que o leitor perceba minimamente do que falo, falo da necessidade de contacto físico. Uns têm mais, outros menos, mas ela existe. A questão principal é que ao termos gestos físicos para com outros regularmente, banalizamo-los. Quando, naquelas ocasiões específicas quisermos sinalizar aos outros que aquele momento é especial, diferente, teremos mais dificuldade em fazê-lo. Por mais que argumente que ao praticar-mo-los regularmente já mostramos aos outros que são diferentes, não consigo deixar de pensar que o primeiro ponto de vista tem muito que se lhe diga. Isto porque tenho regularmente gestos físicos para com pessoas que não me sendo indiferentes, não são daqueles que levava comigo para o deserto do Arizona, que é como quem diz, não são as mais especiais.
O problema fundamental é que não sei bem porque o faço, e na minha busca incessante pela razão de tudo (alguns dirão que penso demais) incomoda-me não conseguir justificar as minhas próprias acções.
Quando a teoria é defendida por pessoas cuja opinião valorizo muito, o problema torna-se ainda mais gravoso, pois se é certo que nenhum tem que ter necessariamente razão, o facto dos melhores argumentos não serem os meus incomoda-me.
No fundo, ao não conseguir racionalizar o porquê das minhas acções, penso se será correcto o meu ponto de vista. Como se costuma dizer: "se não os podes vencer, junta-te a eles!"
Quem me faz pensar nisto, questionar as minhas próprias ideias, é sem dúvida especial e gostaria um dia, num momento de perfeita harmonia e plenitude mostrar-lho, fazendo com que o físico evidenciasse o quão importante é o psicológico (que é como quem diz: "Odeio-te!").

Se eu tivesse tempo...

Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia o que me vai pela alma.
Se eu tivesse tempo, talvez falasse sobre o que me entristece há mais de um mês.
Se eu tivesse tempo, talvez me queixasse de como os trabalhos de grupo monopolizam a minha vida.
Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia porque finjo.
Se eu tivesse tempo, queixar-me-ia dos amigos que não vejo, do desporto que não faço, da matéria que não estudo, do sono que não durmo, da diversão que não tenho.
Se eu tivesse tempo, explicar-vos-ia porque é já não me apetece rir.
Se eu tivesse tempo, falar-vos-ia de como estou a conhecer melhor certas pessoas.
Se eu tivesse tempo, falava-vos das pessoas maravilhosas que vou descobrindo aos poucos.
Se eu tivesse tempo, falar-vos-ia de como me sinto posto de lado por alguém que me diz muito.
Se eu tivesse tempo, talvez vos falasse das conversas com esse alguém que me deixam esperançoso que a tristeza acabe.
Se eu tivesse tempo, falava das fotografias para as quais me custa olhar e das que saíram do sítio.
Se eu tivesse tempo, queixava-me da chuva.
Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia como, pouco a pouco, estou a ficar mais sozinho, nas aulas, nos passeios, na natação.
Se eu tivesse tempo, talvez vos falasse das festinhas no cabelo, dos encostos de cabeça e dos amarelos também.
Se eu tivesse tempo, talvez o perdesse com os amigos de sempre.
Se eu tivesse tempo, explicar-vos ia como há pequenos nadas que são tão grandes.
Se eu tivesse tempo, talvez me debatesse sobre como um gesto dos outros pode causar um furacão em nós.
Se eu tivesse tempo, dir-vos-ia o quão me entristece olhar para trás e perceber o quão já fui feliz.
Se eu tivesse tempo, falar-vos-ia das lágrimas que não caíram.
Se eu tivesse tempo, talvez procurasse pelo Jota.

Ele anda por aí, não sei onde, mas sei que anda. Ele teria tempo. Eu não tenho…

terça-feira, outubro 31, 2006

PARABÉNS!

(e mais não digo, não vão alguns dizer que ando a dar graxa aos professores!)

domingo, outubro 22, 2006

Tigas e a Ginástica



Nunca uns campeonatos tinham sido tão apreciados pelo nosso amigo Tigas...

segunda-feira, outubro 16, 2006

Sabes amar?

“Eu estou a aprender. Estou a aprender a aceitar as pessoas mesmo quando elas me desiludem, quando fogem do ideal que eu tenho para elas, quando me ferem com palavras ásperas ou acções impensadas. É difícil aceitar as pessoas como elas são, não como eu quero que sejam, mas como elas são! Ainda estou a aprender a amar. Estou a aprender a escutar, escutar com olhos e ouvidos, escutar com a alma e com todos os sentidos, escutar a mensagem que se esconde por entre as palavras fúteis e superficiais. Estou a aprender a descobrir a angústia disfarçada, a insegurança escondida, a solidão encoberta. Estou a aprendera ultrapassar o sorriso fingido, a alegria simulada, a vanglória exagerada. Estou a aprender a descobrir a dor de cada coração. A aprender a perdoar, porque o amor perdoa, atira para longe as mágoas e apaga cicatrizes que a incompreensão e insensibilidade gravam no coração ferido. O amor não cultiva ofensas com lástima e auto-compaixão. O amor perdoa e esquece. Extingue todos os traços de dor. Passo a passo, estou a descobrir o valor que se encontra dentro de cada vida, de todas as vidas, valor soterrado pela rejeição, pela falta de compreensão, carinho e aceitação, pelas experiências duras vividas ao longo dos anos. Estou a aprender a ver nas pessoas e as possibilidades que Deus lhes deu. Estou a aprender, mas é difícil e demora esta aprendizagem. Aprendo a colocar os meus interesses, a minha ambição, o meu orgulho de lado quando estes impedem o bem-estar e felicidade de alguém. É difícil amar” – autor desconhecido in Livro do Visionário

Acho que para tudo é preciso um esforço. Dedicarmo-nos a conhecer o outro é algo que exige de nós uma predisposição para mudarmos em nós algo que o incomode. Mas queremos ver resultados, ou seja, queremos ver esse esforço também do outro lado. Porque se não, remamos contra a maré e quem se afunda somos nós. Porém, por muito que nos custe, temos de admitir que o outro lado pode não querer mudar, e aí somos nós que temos de repensar o nosso rumo. E é normal que, por vezes, as pessoas choquem, desabafem o que está há muito esquecido lá dentro, o digam de uma forma que nem sempre é a de pessoas que gostam uma da outra.
Não sou um santo, nem tenho pretensões de vir a sê-lo, mas tento compensar isso com pequenas alegrias que vou tentando dar. Já percebi que muitas delas não valeram de muito, mas fi-lo com as melhores das intenções, apenas para tentar que os vossos dias fossem um bocadinho melhores. As mais sinceras desculpas pelas vezes em que aconteceu o contrário.

quarta-feira, outubro 11, 2006

As Mais..

convidaram-me para lanchar como prémio já antigo ganho... uma palavra para o lanche:

Surpreendente!

ps: na verdade este post até podia ter sido um comment lá no blog delas mas apetecia-me dar mais relevo à coisa!

terça-feira, outubro 10, 2006

Mais depressa se apanha...

Desde há muito que queria falar sobre este tema, dá-se por Mitomania e revela a tendência mórbida para a mentira.

Como é óbvio, ao longo da nossa vida contamos uma mentira ou outra, as chamadas “piedosas”, como quando dizemos a algum familiar que a camisa que nos ofereceu é muito gira e que a iremos usar, mas na verdade nunca nos veríamos com a peça. Não é disto que falo, mas sim das que acabam por atingir e prejudicar terceiros.

Depois de ter feito uma pesquisa sobre o tema, fiquei a saber que a mentira pode ser um indicador de problemas emocionais, como a necessidade de aceitação. Questão – Até que ponto pode ser levada uma mentira apenas para que a pessoa se possa sentir integrada num grupo ou bem consigo mesma? Mesmo que essa pessoa faça já parte de um grupo que a aceite como verdadeiramente ela é, o que a impulsiona, então, para insistir na mentira?

Na continuação da minha leitura vi ainda que a mentira surge em diversas formas:
· Ocultação da verdade – a pessoa tenta evitar abordar a questão, conduzindo o assunto para outro tema.
· Falsificação da verdade – a pessoa fica ofendida por achar que que outra desconfia dela.
· Mostrar credibilidade quando conta a mentira – a pessoa tenta gozar com a situação com que é confrontada e tenta manter a sua posição.
· Adiar a resposta – a pessoa não nega a mentira, mas tenta adiar ao assunto.
Ainda outra coisa que me divertiu foi ler a teoria do “como identificar um mentiroso”:
· Os olhos – A pessoa tenta não olhar directamente para a outra enquanto mente (há quem fale em olhos que flutuam no espaço, lol?)
· A pela – A pessoa pode ou não ficar com vermelha, o que é explicado pelo facto da pessoa ficar em stress, com muita adrenalina e porque o sangue circula mais rapidamente, a pele fica avermelhada.
· Os pés – pessoas que mexem os pés enquanto a contam, podendo até mostrar algum desejo de sair daquele espaço físico, tentando acabar rapidamente com a conversa.
· Transpiração – a pessoa fica tensa ao mentir e pode transpirar.
· A fala – se o “mentiroso” estiver stressado com a situação, ele tenta contar a história o mais rápido possível, aumentando o nível da fala (ou até mesmo tentar contar a história num tom de voz muito baixo, para que outros não o possam ouvir).
Tudo muito giro, não é? Pois, mas isto não interessa nada quando se fala de Mitomania.

Na verdade, quem sofre desta “doença” pode muito bem não ter nenhum destes “sintomas”, o que o obriga a viver uma vida que não é inteiramente a sua, apesar de ser fruto da sua imaginação. Muitos destes “mentirosos compulsivos” acreditam piamente nas mentiras que contam, tanto que podem até ter reacções bastante emocionais e próprias quando confrontados com a real verdade. Para algumas, a sua vida é perfeita, tão perfeita que muitas vezes acabam por entrar em exageros, levando-os à sua própria denúncia.
O que é mais grave, e podem confirmar isto se pesquisarem, dizer a verdade pode ser um acto de sofrimento para estas pessoas, porque o mundo de fantasia que criam é preferível ao que realmente possuem.

Aquilo que gostava de saber é: como posso eu ajudar alguém que acredita tão piamente na sua verdade, que não vê que está a mentir e, sem perceber, a afectar-nos a nós? Será verdade que mais depressa se apanha um mentiroso do que um coxo?

sexta-feira, outubro 06, 2006

Aprendizagens

É bom constatar que as conversas que imaginamos na nossa cabeça, vezes e vezes sem conta, não correm como esperado. Significa que do outro lado está uma pessoa capaz de nos surpreender, nem que seja por ser ela mesma. Todavia, sentimos depois uma leveza nos ombros, alcançada ao conseguirmos dizer o que queríamos, a quem queríamos. Passamos a um novo nível: diferente, não por haver uma cisão para com o anterior, mas porque o anterior é completado, redefinido, aumentado sustentadamente não pela obtenção de coisas novas, mas pela arrumação de coisas velhas. Sei que é assim não porque percepcione a mudança de uma forma estagnada, não porque consiga separar as diferentes etapas, mas porque sei que há uma ligação entre elas, sendo que ainda não chegámos à etapa final.
Interrogo-me se será mais válido tomar o caminho difícil, longo, complicado, ou optar pela solução óbvia, que salta aos olhos de todos, de que só se fala baixinho e quando mais ninguém ouve, que não pode ser verdade, porque se fosse, tudo seria fácil. A vida não se quer fácil: a piada está em perceber que de tão complicada que é, só pode ser explicada de forma simples; absorver a sua simplicidade é que é complicado.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Para (me) ajudar a virar a página...

“Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.
E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.
E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.
E começas a aceitar as tuas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a inteligência de um adulto e não com a tristeza de uma criança.
E aprendes a construir todas as tuas estradas no hoje, porque o terreno amanhã é incerto demais para planos, e o futuro tem o costume de fracassar a meio.
E aprendes que não importa o quão tu te importes, algumas pessoas simplesmente não se importam...
E aceitas que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso.
Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais.
Descobres que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que podes fazer coisas num instante, das quais te arrependerás para o resto da vida.
Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.
E o que importa não é o que tu tens na vida, mas sim quem tens na vida.
E que os bons amigos são a família que nos permitiram escolher.
Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam; percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.
Descobres que as pessoas com quem mais te importas na vida te são tiradas muito depressa, e por isso devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pois pode ser a última vez que as vemos.
Aprendes que as circunstâncias e os ambientes tem influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.
Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.
Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto.
Aprendes que não importa onde já chegaste, mas para onde estás a ir, mas se não sabes para onde vais, qualquer lugar serve.
Aprendes que, ou tu controlas os teus actos ou eles controlar-te-ão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade.
Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as consequências.
Aprendes que ter paciência requer muita prática.
Descobres que algumas vezes a pessoa que tu esperas que te vire as costas, é das poucas que te ajudam a levantares-te quando cais.
Aprendes que a maturidade tem mais a ver com os tipos de experiências que se teve, e o que aprendeste com elas, do que com quantos aniversários te defrontaste.
Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que tu pensas.
Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de seres cruel.
Descobres que só porque alguém não te ama da forma que tu queres que ame, não significa que esse alguém não saiba amar, pelo contrário, ela ama-te como pode, pois existem pessoas que nos amam mas simplesmente não sabem como o demonstrar ou viver isso.
Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tu tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo.
Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, serás tu nalgum momento condenado.
Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração ficou partido, o mundo não pára para que o consertes.
Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás, portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, em vez de esperares que alguém te traga flores...
E aprendes que realmente podes suportar... que realmente és forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensares que não se pode ir mais.
E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor perante a vida!
As nossas dúvidas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar.” - William Shakespeare

P.S.- Um obrigado à amiga Ruiva, que num belo dia me apresentou Shakespeare...

quarta-feira, setembro 27, 2006

It's information, stupid!

"Amigo: alguém que sabe de tudo a teu respeito e gosta de ti assim mesmo" - Elbert Hubbard

Hoje falámos de informação. Talvez não exista no mundo coisa mais abundante, dada a quantidade dela que nos rodeia, nos jornais, na televisão, nos outdoors, na máquina do passe, nos relógios, nos sinais de trânsito, nas aulas, nos intervalos e suas coscuvilhices, nos horários, na paisagem, no tempo, nas conversas, etc.
E quando a informação falha? Veio-me então à cabeça o caso da Enron: tudo normal, uma grande companhia americana, com milhares de empregados e lucros assinaláveis. Acontece que esta realidade, construída durante anos e anos sobre bons resultados, foi apanhada de surpresa com a descoberta de que, afinal, a informação em que se baseava estava toda errada. Milhares de trabalhadores ficaram no desemprego, milhões de accionistas com as carteiras a arder. Tudo porque se tinham baseado em informação falsa. Se alguém pensa que este caso não afectou nada mais que os mercados financeiros, engana-se redondamente: milhares de trabalhadores tinham planeado uma vida com base nos seus empregos, até então estáveis, talvez tenham comprado casa nova, tido mais um filho, tudo a pensar no salário certo ao fim do mês. Apanhados de surpresa, muitas pessoas perderam as suas poupanças, tudo porque o gigante Enron afinal estava atolado em dívidas disfarçados com truques contabilísticos. Vítimas da informação!
Em todo o lado há informação, e um mundo sem informação não existiria, pois apenas a existência já é em si informação! É pois inevitável basearmos as nossas vidas em informação. Foi com ela que crescemos, foi com ela que nos formámos como pessoas. Foi com informação que fizemos escolhas, foi com ela que organizámos a nossa vida como ela é hoje: decidimos fazer esta ou aquela cadeira com base em informações sobre o regente, o trabalho que nos daria durante o semestre, sobre a sua utilidade futura; decidimos tomar este ou aquele transporte porque é mais rápido, ou mais confortável, ou porque vamos acompanhados de gente que conhecemos; decidimos para nós este ou aquele futuro conforme a felicidade, dinheiro ou interesse que nos trará.
Vendo bem, até os nossos amigos foram escolhidos por nós com base em qualidades e defeitos, características que não passam de informação que, depois de bem processada, nos leva a preferir darmo-nos com alguém em detrimento de outrem. Quão mais profunda a relação, mais é importante a qualidade da informação, pois tornamo-nos mais amigos de quem mais gostámos do que fomos conhecendo com o passar do tempo.
E quando descobrimos que essa informação, em que tanto confiámos, está errada?

Quanto vale uma pessoa?

Quanto vale uma pessoa? É uma questão estúpida, que provavelmente nem poderá ser respondida em termos quantitativos, mas não deixa de ser interessante...
Qualquer um de nós tem um conjunto de princípios, normas, condutas e comportamentos que nos caracterizam. Somos altos, baixos, magros, gordos, loiros, morenos, giros ou feios conforme os observadores ou perspectivas. Tudo isto é resultado de um conjunto de predisposições genéticas, características inatas inerentes à nossa linhagem, que foram moldadas pelas experiências que vivenciámos ao longo da vida. À partida, à nascença, todos temos o mesmo valor, não só nesse momento, como potencial. É plausível que todos consigamos atingir um determinado estado, dado que nos providenciam as necessárias condições para o fazermos, mas é igualmente plausível que uns estejam mais aptos a desempenhar determinadas tarefas. Podemos constatá-lo no desporto, onde os países de Leste têm normalmente representantes com maior sucesso na ginástica ao passo que a raça negra tem maior apetência para modalidades que exigam uma grande capacidade de explosão como corridas de velocidade, ou de resistência como as corridas de fundo.
Constatações à parte, esta valorização depende sempre do observador. É um exercício subjectivo, pois as diferentes importâncias que atribuímos a diferentes características faz-nos olhar as mesmas coisas de forma diferente. Contudo, como alguém que respeito muito me explicou um dia, o que está certo, está certo e há coisas inerentemente erradas. Sabemos isto se possuirmos mecanismos morais que nos façam discernir o bem do mal, mas o que é facto é que há coisas certas e outras erradas. Chegamos assim ao cerne da questão: ao tirar uma "foto" hoje a duas pessoas, com características semelhantes ou não, conforme achemos relevante esse facto ou não, que estejam notoriamente separadas pelo que conseguiram até hoje, pelo que representam, pelo que "são", não poderemos dizer que uma vale mais que outra, seja lá o que for que isso queira dizer?
Não me interpretem mal. Não tenho intenção de apurar raças, erradicar os fracos nem nada que se lhe pareça, mas não consigo deixar de pensar que um humanista vale mais que um pedófilo (dado que ambos não se intersectem é claro).

segunda-feira, setembro 25, 2006

Asneira

Quer seja pela sua própria natureza, quer seja pela maneira como é interpretada, a asneira é intrinsecamente didática, já que nos permite aprender. A nossa valorização sobre o que está certo e errado pode assim ser ligeiramente alterada, já que uma coisa errada, que nos faça ver o que está certo, não foi assim tão má.
Os arrependimentos são para quem não sabe o que faz, ou para quem pensa no que poderia ter acontecido se tivesse feito. Não são para quem faz, mesmo que faça mal. Ao cometermos erros aprendemos e, no futuro, estaremos habilitados a não incorrer em certos comportamentos ou atitudes. Se não tivéssemos feito a asneira, nunca nos aperceberíamos que era exactamente isso - uma asneira.
É por isso que mais do que reflectir na asneira, devemos reflectir em como emendá-la tentando sempre ajuizar como as nossas acções poderão restabelecer a "verdade" e relegar a asneira para um plano menos importante, mas nunca para o esquecimento.